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O Brasil e o Neossocialismo Nazista. (com vídeo)


* Paulo Sérgio Leite Fernandes
O Brasil e o Neossocialismo Nazista


 

 Conta-se que a Alemanha, durante o período mais acentuado  da dominação nazista, teve a implantação doméstica de um curioso mas não tão raro sistema de delações. Vizinhos, parentes, crianças, funcionários públicos em geral, eram estimulados a denunciar aquilo que lhes parecesse suspeito no comportamento dos outros. A chamada juventude hitlerista tinha, no contexto, um código de ética obrigando os jovens a comportamentos assim. A atividade espiolhadora se tornou extravagante ao desenvolver com maior afinco a perseguição a judeus, tudo com as consequências conhecidas por todos. Afirma-se que o fenômeno não tinha originalidade. De fato, quem já visitou Veneza e Firenze traz na memória aquela bocarra aberta à porta do palácio dos Doges e de outros edifícios oficiais, preparados os buracos para receberem denúncias anônimas que, recolhidas lá dentro, serviam inclusive ao torturamento dos denunciados, com inflição de sofrimentos variados que iam da roda até a “dama de ferro”.

 A humanidade mudou pouco, espiritualmente, desde aquela época. Dir-se-ia que piorou, pois o morticínio agora nas guerras ou revoluções intestinas ascende a milhares, sem grande alteração dos comportamentos tendentes à inflição de dor. Diga-se que hoje a sofisticação é maior, pois uma bomba de fósforo queima devagar e por muito tempo a pele dos infelizes.

 A crítica posta pelo cronista é quase lugar-comum. Serve apenas para realçar as idas e vindas dos costumes que mancham feiamente os humanos. Um deles, gerador da crônica, é, com certeza, a delação, com seus tentáculos, destacando-se as interceptações ambientais e telefônicas. O cronista, dentro da peculiaridade, se horroriza quando vê os coletivos apontando aos cidadãos o telefone de órgão qualquer acolhedor das denúncias anônimas, preservando-se o sigilo do denunciante. Entretanto, isso é o mínimo, é o “pixulé” dos judeus. O espionamento obsessivo praticado por beleguins de pequena ou alta estirpe faz parte, creia-se, até mesmo do anedotário jurídico. Dramaticamente, existe uma certa dose de reciprocidade na conduta dos que olham, pelo buraco das fechaduras eletrônicas, as intimidades alheias.

 É, em certa medida, uma soturna dança: o juiz manda investigar o suspeito que, por sua vez, pode estar grampeando o magistrado. Há alguém, no entretempo, espiolhando os dois. À frente, o tribunal começa a saber de tudo e se protege, contratando empresas aptas à prática de “varreduras”. Existem, é claro, os censores, pois os homens são feitos assim, preservando-se o princípio da autoridade superior, na medida em que o ser humano nasceu para obedecer, sendo imprescindível, portanto, a existência de quem mande. Estimulado pelo exemplo das hierarquias, o cidadão, igualmente, parte para a precaução de se proteger: começa a gravar quem está a gravá-lo. No meio disso, à maneira dos vetustos ancestrais, agentes da autoridade iniciam a permuta de confidências com os próprios bandidos, numa loucura em que já não mais se sabe quem é o santo e quem é o demônio, porque ambos se banham na sujidade. Vem ocorrendo isso no Brasil, sem perda de visualização do exterior, valendo o exemplo da Itália moderna em que o Primeiro-ministro, desprovido de princípios éticos no mínimo razoáveis, passa noites em tertúlia com profissionais do amor clandestino, mas, pontificando na atividade repressora, mantém ou coopera para a existência dos juízes sem cara e das testemunhas sem nome, exemplo, diga-se de passagem, que começa a ser seguido em pequena escala no nosso país. Já não se sabe, agora, qual é o santarrão e quem é o proxeneta, porque, como dizia um penalista diferenciado, o bom e o mau partem para ilegalidade semelhante. Há de restar, nesse embrulhamento terrível, uma sorte qualquer de criaturas imaculadas, uma espécie de gente com certificado “iso”. O cronista ouviu dizer que existem instituições preparadas para examinar o comportamento de empresas e comunidades profissionais, atestando-lhes a ausência de pecados, uma etiqueta a ser pregada no colarinho ou pendurada ao pescoço. Poder-se-ia, quem sabe, criar uma sigla: “SS”, nunca a repetição da polícia política nazista, mas com outro significado: “Sem Suspeita”. Do jeito que o Brasil vai, instigando-se os brasileiros à denúncia compulsiva, alguém precisa ser galardoado com a comenda do “Sem Suspeita”. O grande problema, frente à inquisição tupiniquim, é escolher quem vai laurear o comendador…


* Advogado criminalista em São Paulo há cinqüenta anos.

Um Comentário sobre “O Brasil e o Neossocialismo Nazista. (com vídeo)”

  1. PSLF disse:

    Comentário para esse vídeo postado no youtube por ipkeez:

    Muito Interessante. Obrigado

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