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*O HIV E CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS

Paulo Sérgio Leite Fernandes

Há, segundo o cronista afirmou alhures, alguns tópicos da história da humanidade merecendo curiosidade acentuada. Ao fazer tais afirmativas, o velho escriba usou expressão inusitada: “– A história da humanidade é a história do vício”.  Faz uns 50 anos. A frase foi posta num livreto, a primeira obra a ser escrita pelo escriba, denominada “Tóxicos. Tanto bastou para que um penalista carioca, de nome Nilo Batista, fizesse comentário gozativo a respeito, sabendo-se que aquele senhor, jovem ao tempo, competia em idade com o escrevinhador.  O livreto “Tóxicos” se perdeu no tempo. O infra-assinado o procurou, depois, em todos os sebos do país, não o encontrando. É pena, pois o escrito tinha informações preciosas. Vale a lembrança, entretanto, para o único fim de se fazer justiça à expressão posta em relevo. Na verdade, pesquisado o passado, o mundo pode exibir – e exibe até hoje – recortes expressivos de muitas particularidades. Houve, séculos atrás, epidemias terríveis, matando milhões de pessoas, destacando-se a “peste negra” (século XIV) e a “gripe espanhola” (século XVIII), apenas para exemplificação. Referentemente a passado mais remoto, consta que múmias egipicíacas exibem sinais de espécies de câncer.

Pode-se então, com certeza, acompanhar a evolução do ser humano,  fixados vários pontos de abordagem, sem exceção do vestuário. Expressados tais aspectos com alguma dose de precisão, parta-se para as chamadas moléstias transmissíveis, principalmente, pelo contato sexual, surgindo com grande potencialidade a sífilis, ou “lues” e, mais modernamente, o denominado contágio por HIV. Quanto à primeira hipótese, medrava na Europa do século XIX, exponenciada em Paris e declinando no século XX, primeira metade, com o surgimento da penicilina (Alexander Fleming), embora digam alguns que os chineses já conheciam o efeito cicatrizante de emplastros bolorentos. Os biógrafos dos personagens frequentadores do “Moulin Rouge” referem que muitos deles haviam contraído sífilis, chamada, na cidade – luz, de “La petite parisience”. Era o caso de Nietzsche, com certeza. Suspeita-se de Lautrec ter conduzido o treponema. O Brasil do século XIX esteve pontilhado de eméritos sifilíticos. Indo-se adiante, chega-se ao tema central da crônica, ou à moléstia vulgarmente denominada AIDS. Gente importante, enquanto não se havia descoberto combate adequado, morreu daquilo. Refira-se apenas Cazuza, a nos deixar versos entronizados nos ditos populares (Faz parte do meu show, meu amor). Diga-se, a título de reflexão incidental, que o menino – poeta e muitos outros estariam vivos hoje, com a medicação surgida adiante.

Dir-se-á que o cronista está a fabular.  Não, o assunto é importante, ao exame de artigo posto, em tradução de Anna Capovilla, por Martha C. White no “The New York Times”, transcrito no “O Estado de São Paulo” de 4 de janeiro ultimo. Afirma-se ali que surgiu, no EUA, no Arizona, uma forma diferente de campanha de conscientização sobre a doença maior do século XX. Em vez de aterrorizar a população, os órgãos de saúde daquele segmento da America do Norte tentam a conscientização do povo, estimulando a realização de exames com mais naturalidade no enfrentamento.  O Brasil, respeitante ao tema, despertou a tempo, mas já esteve melhor. É preciso maior divulgação de medidas preventivas no combate aberto à doença. A consideração diz respeito aos jovens, parecendo, em certos aspectos, que eles têm comportamento análogo àquele com que se comentava a sífilis, na chamada “Belle Epoque”. Existiria, quiçá, uma certa atitude de pouco caso, ou desafio, ou ainda negligência, entre a juventude. O preço a pagar, sabe-se bem, é caríssimo.

Não vale a pena dizer mais, porque o resto fica a depender dos órgãos governamentais encarregados da prevenção e tratamento de doenças afins. Repita-se, apenas, fotografia posta no artigo cuja transcrição é referida. A foto encontrada no “Estadão”, embora não o pretendendo, é aterrorizante. O cronista, em suas veleidades de pintor, já havia produzido outro retrato, para ser usado por quem o quisesse, menos cruel, quem sabe, mas assemelhadamente sofrido. Coloca-se-o ao lado do primeiro, a título de aviso, prevenção, relembrança ou coisa assemelhada. Juntos, hão de servir a consequência produtiva. E la nave va.

 

*A crônica é tema de Direito Penal (artigos 130 e 131 do Código Criminal).

Um Comentário sobre “*O HIV E CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS”

  1. rachelfranco disse:

    Lendo o artigo do nosso amigo ,temos a certeza de que a mocidade,em qualquer época da história,não leva nem levou a sério quaisquer avisos sobre sífilis,HIV e quejandos.Não acreditam que isso possa um dia chegar nela.Acha-se imune ao sofrimento.
    Voltando ao artigo,há um livrinho interessantissimo tratando de algo parente do livreto perdido.
    Chama-se:A HISTORIA DA HUMANIDADE CONTADA PELOS VIRUS,de Stefan Cunha Ujvari,Editora Contexto.Com o desaparecimento do primeiro recomendo esse.
    Mas o que realmente me interessa.é a figura do quadro.Sempre impressionou-me a conotação do irreversível,da finitude da esperança representada pela cruz.Não saberia dizer se o artista pensava nisso ao pintá-la,mas é o que sinto.O futuro está selado,não há volta,
    Use-se a pintura,o alerta é mais contundente,

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