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O povo, unido, jamais será vencido

O novo Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, respeitado e jovem advogado Cláudio Lamachia encabeçou, pelo voto da quase unanimidade de conselheiros federais, exceção feita a Lavenère Machado, segundo consta, petição advinda daquela entidade para instauração de novo processo de impeachment da Presidente da República. Lavenère, o Marcelo, atuante líder na advocacia, foi, no passado, o condutor de outro pedido de impeachment, tendo como sujeito passivo o então Presidente Collor de Mello. Duas situações, dois momentos, duas posições antagônicas. Não importa. Na contextura vigente, é preciso coragem acentuada para oposição ao querer, afirma-se, de 82% dos brasileiros. Em síntese, muito expressiva maioria, entocando-se a oposição no canto escuro do debate. No meio disso tudo, a advocacia se movimenta, tanto no lado da perseguição a Dilma, como na resistência à pretensão inculpatória. A movimentação da Ordem dos Advogados do Brasil, organicamente, é expressiva, desconhecendo-se a posição de outras entidades congregando número menor de advogados. Movimentando-se pelas paralelas, associações da magistratura, de policiais e do ministério público metem a colher na refrega, sob o pretexto de defesa da independência dos intervenientes na solução dos conflitos em tramitação. Episodicamente, o juiz condutor da ação penal centralizadora da apuração dos fenômenos hipoteticamente criminais geradores, direta ou indiretamente, da crise em desenvolvimento, deixa o gabinete e parte para as ruas, em palestras prolatadas aqui e ali, com predominância de público constituído por cultores da ciência jurídica. O Supremo Tribunal Federal, dito órgão silente, é sacudido sob as alfombras, pois os cultíssimos Ministros não conseguem, ressalvada uma ou outra exceção, apartar-se plenamente da disputa, emitindo opiniões mais ou menos agressivas sobre o contexto. Acentua a doutrina a imparcialidade do magistrado, mas não é bem assim, pois não há ser humano que não tome partido, ou pela razão, ou até mesmo pela emoção ou atavismo ligado à fenomenologia da própria existência. A cidadania, estimulada pela imprensa, disputa acentuadamente pressupostos favoráveis ou contrários àqueles diretamente interessados na relação de causalidade da qual resultarão, em qualquer alternativa, consequências importantes para a nação. Se a Presidente da República for afastada, assumirá, em princípio, o Vice-Presidente Michel Temer. Não só ele, mas todo o contingente escolhido para a condução dos movimentos tendentes à regularização dos múltiplos setores da governança deixados a descoberto.

Não se dirá da santidade ou não do composto político dirigido pela Presidente da República. Assemelhadamente, não há aplausos a quem virá em substituição, na hipótese de arredamento de Dilma Rousseff. A solução possível, melhormente assimilável, seria o surgimento de um personagem dotado de originalidade e imaculabilidade tamanhas que o fariam ser agasalhado pelo povo, conscientes as diversas camadas sociais da miraculosa personalidade do despontante. Uma espécie de arcanjo, bata branca esvoaçante, a salvar a pátria de um destino malsão. Enquanto a ideia vem à consciência, chega a imagem daquele barão despontando entre as nuvens, entranhado num zepelim, enquanto lá embaixo o vilarejo, ou a cidade, sofre as agruras da vilania. Sim, espera-se o “Barão Munchausen”, vigoroso sim, ardente também, guerreiro implacável e restaurador plenipotenciário, cabendo-lhe a tarefa de reconstruir o território devastado. Embaixo, no solo, ninguém convocou Geni, pois ela já está lá. O cenário, devidamente preparado, comporta milhões de criaturas, próximas a montanhas de pedras bem recortadas, à maneira da lapidação vetusta. Quem é o Barão? Conheciam-se antes da chegada impactante naquele dirigível monstruoso, veio para apossar-se do território após a devida degustação? Levantou voo, em seguida, deixando Geni, apedrejada, submetida à sanha do povaréu? Chegou mais alguém, levando a cidadania a indagar “Quem vem lá? É o salvador da pátria, o consertador do chão vilipendiado, o reparador do ouro despejado alhures, o moralizador das cheganças, o novo régulo, enfim, ocupando o trono deixado à míngua?” Quem é aquele nobre, repita-se? Seria aquela criatura absolutamente impávida antes retratada, togada de negro e chicoteando, valente, os costados dos ímprobos. No fim daquilo tudo, em torno do todo, há, seguramente, partícipes morigerados, aconselhando os lapidadores a dose maior de reflexão. Aquela terra mordida, marcada, triturada, sofrida, furtada nas suas riquezas, merece, sim, pausa grande para meditação. O Barão, seus sequazes, a tripulação, seus apelos a que o povo, lá embaixo, trucide as carnes da Geni, vem, fica algum tempo e se vai embora, ou não consegue, pois não santificado, reequilibrar o solo envenenado pela incompetência da apedrejada. No chão, sob as nuvens, resta a Geni, aquela escolhida para saciar o resfolego do aprochegante. E tudo continua como foi antes. O cidadão se recolhe, a multidão para de ulular, pois temporariamente satisfeita das suas frustrações, os jovens amadurecem, guardam na lembrança aquilo que já foi e os velhos morrem. Fechando os panos do episódio muitas e muitas vezes revivido no vilarejo, resta uma canção, à maneira dos bardos e menestréis da idade-média: Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!

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