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Conflito na Segurança Pública no Estado de São Paulo

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Conflito na Segurança Pública no Estado de São Paulo
 


 

               Os jornais de 03 de outubro comentam, no Estado de São Paulo, conflito entre a Secretaria de Segurança Pública e a Ouvidoria da Polícia. Afirma o Ouvidor, advogado Fermino Fecchio, que não tem recebido informações sobre as estatísticas referentes à criminalidade de policiais encarregados de reprimir a própria. O Secretário de Segurança Pública, promotor público Saulo (esqueci o sobrenome), cauteloso, põe à frente, para responder à censura, o advogado Marcelo de Oliveira, ex-conselheiro da OAB paulista, agora vestindo as cores estatais. É como acontecia na Idade Média: os cavaleiros traziam, no antebraço, o pendão das princesas cuja honra deviam manter. Naquele tempo, lá pelos idos do Século XIV, o povo não gostava dos campeões que mudavam de lado. Os assistentes pulavam a cerca que protegia a liça (daí provém a expressão “paliçada”) e invadiam o relvado (alguma coisa assemelhada à briga das torcidas nos campos de futebol). Era pedrada pra todo lado. Fica-se em dúvida sobre a coloração dos pendões presos nos antebraços dos eminentes defensores da segurança do povo. Sabe-se, somente, o que aconteceu no meio da refrega, desconhecendo-se, segundo a Ouvidoria da Polícia, a extensão do saldo dramático desse combate. De qualquer forma, aproximando-se as eleições, o rei, parece, manterá os costados no trono, ungido, é certo, durante outros quatro anos, pelos palafreneiros. Nessa conjuntura, um ou outro cavaleiro terá duas alternativas: ou defende a dama ou persiste na qualidade de campeão do soberano. Este – o Estado – é poderoso, sedutor e chamativo. Quanto à princesa, a democracia, que deve ser, nas palavras de Roberto Podval, presidente do IBCCRIM, transparente nas relações entre a sociedade e suserano, exige muito e retribui pouco. É este o fatal dilema do advogado. Entre os dois extremos, o coração de alguns balança. Na medida em que se cuida do conflito entre o povo e o poder, use-se o francês, idioma adequado aos debates das paixões que habitam a alma: “Entre les deux, mon coeur balance”. Eis a questão.                                    

 * Advogado criminalista em São Paulo há quarenta e dois anos. Esta crônica é personalíssima. Retiro meus títulos.

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