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CURSOS ON LINE – A PUC QUE SE CUIDE. (com vídeo)

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
CURSOS ON LINE – A PUC QUE SE CUIDE


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A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo tem tradição e cultura incontroversas. Não conheço os outros cursos ministrados naquela respeitadíssima instituição. Refiro-me apenas  àqueles que conheço, não só por longo tirocínio enquanto professor em congênere, mas por terçar armas, às vezes, com eminentes advogados advindos da Faculdade de Direito mantida pela universidade referida. Assim, já atemorizado, e muito, com a imprudência e negligência quase criminosas, se criminosas não forem, manifestadas no Ministério da Educação e Cultura até que estancadas, parece, por saneamento imposto pelo novo Ministro Fernando Hadad, – particularidade a ser conferida -, mais amedrontado fico com reclamação advinda de pós-graduandos em Direito da PUC quanto à implantação paralela de estudos assemelhados, desta vez na “Internet”, em convênio com curso preparatório de vestibulares sediado em São Paulo e municípios outros. Dizem os reclamantes que se surpreenderam quando cientificados de que a universidade católica teria feito um ajuste com o cursinho “Marcato”, permitindo ao último servir de partícipe em curso de pós-graduação análogo àquele ministrado em tempo real no espaço físico da universidade, presentes portanto, fisicamente, alunos e professores. Alegam os juristas freqüentadores do curso mantido classicamente pela universidade que existe, na implantação à margem, uma forma espúria de competição, permitindo aos estudantes “on line” uma cômoda assistência, sem qualquer sacrifício de deslocamento à Faculdade de Direito da vetusta universidade paulista.

Os pós-graduandos têm plena razão, sabendo-se que os ditos cursos pela Internet abastardam o estudo e o ensino de qualquer ciência. Entretanto, não vejo o problema somente por este prisma. Entendo que a ministração de cursos de Direito por via assemelhada, sendo uma das partes um apêndice não legalizado servindo ao gigantismo de ambos, constitui forma extravagante de saltar obstáculos erigidos, no mínimo, pelos compostos éticos da docência e pela satisfação de requisitos inerentes à pós-graduação. Respeite-se o cursinho mencionado, notando-se, aliás, a transformação deste último em potente espaço físico atinente à preparação de candidatos a profissões diversas. Não se deve admitir, entretanto a transformação da entidade em uma outra Faculdade de Direito disfarçada, a exemplo de iniciativas que já se põem assentadas na capital do Estado. Em outros termos, já não bastariam as mais de mil Faculdades de Direito implantadas no país, geradas em maioria por abortamentos expelidos pelas entranhas do Ministério da Educação. Surgem, a título de novidades desesperadas na criação de espaços subjacentes, cursos de pós-graduação desenvolvidos por entidades que sequer podem ter aqueles de bacharelado. A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, por seus cultos diretores, há de refletir sobre as considerações que, se minhas não fossem, adviriam daqueles muitos que vestiram e vestem as togas e becas ainda respeitadas no tresloucado panorama do ensino das ciências jurídicas no Brasil.
* Advogado criminalista em São Paulo há cinqüenta anos.

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