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Assessores de Bush que se cuidem. (com vídeo)

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Assessores de Bush que se cuidem


 

O ex-secretário de justiça do Estados Unidos da América do Norte, Alberto Gonzalez, o ex-advogado da pasta John Yoo e David Addington, consultor legal do ex-vice-presidente Dick Cheney, todos altos assessores do governo Bush, devem tomar muito cuidado antes de decidir se visitam ou não as obras de Gaudí, em Barcelona, na velha Espanha, mesmo sendo amantes da arte em geral e da arquitetura em particular. Se resolverem fazer turismo naquele país hão de correr muito risco, embora pretendendo pagar seus pecados fazendo o caminho de Santiago de Compostela, e pecados devem ter, porque autores, direta ou indiretamente, das teses que permitiram a implantação da tortura em Guantánamo. Acontece que os espanhóis teriam sido torturados naquele palco de sevícias, queixando-se então às autoridades de seu país. Isso justificou, firmado no princípio da extra-territoriariedade, o início de procedimento investigatório da Espanha tendente à punição daqueles auxiliares do anterior presidente da América do Norte. O juiz responsável pela matéria bastante explosiva é Baltazar Garzón, o mesmo que emitiu mandado de prisão contra Augusto Pinochet.

 Obviamente, se e quando houver processo na Espanha e determinação a que os servidores mencionados sejam punidos, não se passará da ficção, porque nenhum deles se animará a visitar, a partir das investigações, o Museu do Prado ou fixar atenção nas obras de Goya, Picasso e outros tantos, não se podendo esquecer de Salvador Dalí, este último definitivamente transformado em ídolo pelo cronista. Isso significa que o juiz Garzón é suficientemente extravagante para lançar medo nos ideólogos da tortura, sabendo-se que o novo presidente, Obama, nunca expediria passaportes diplomáticos para proteger os desafetos do respeito aos direitos humanos.

 Os jornais de segunda-feira, 30 de março, trazem notícias outras respeitantes, inclusive, a juízes brasileiros igualmente extravagantes nas decisões, merecendo tais magistrados (ou magistrada?) críticas sobre penas excessivas impostas a réus muito bem colocados na sociedade brasileira. Tocante aos juízes nacionais, o cronista se proíbe de comentar o processo, os réus e as anomalias das decisões, porque aprendeu, há cinqüenta anos atrás, que não se pode emitir opinião sobre causas entregues à defesa de outros advogados. É ruim, pois o defensor tem seu plano de trabalho e não gosta de interferências, mesmo aquelas feitas para honrar a advocacia. Dentro do contexto, é preferível comentar a tortura em Guantánamo, embora haja muita vontade de meter a própria colher na cumbuca.  Resta a impressão de que a advocacia mudou, dizendo-se o mesmo dos preceitos éticos atinentes à espécie tratada perfunctoriamente na crônica.


Advogado criminalista em São Paulo há cinqüenta anos.

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