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Obama tende à esquerda. (com vídeo)

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Obama tende à esquerda



 

 Verdadeiras ou não, as múltiplas biografias de Leonardo Da Vinci o colocam como dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Engenheiro, construtor de máquinas de guerra, escultor e pintor, Leonardo inspirou vários filmes, deixando à posteridade algumas telas – não muitas-das quais, sabem-no todos – “Mona Lisa” é exponencial. Milhões e milhões de visitantes já a viram no Louvre, muitíssimo bem protegida, é bem verdade, não se sabendo, também, se o quadro exposto é o original ou cópia adequada à proteção da verdadeira.

 Todo ser humano tem suas extravagâncias e esquisitices, despontando umas e outras a conhecimento da comunidade maior na própria medida da importância do excêntrico. Havia homem célebre que lavava as mãos muitas vezes antes de sair, compulsividade que tem nome na psiquiatria, não valendo a pena recordá-lo. Há os que não tomam banho, ou os tomam em demasia. Existem, inclusive, machos bem postos usando calcinhas de renda só descobertas em caso de acidente ou emergência outra. A vida é, realmente, complicada, valendo o título célebre de Pirandello: “Assim é se lhe parece”.

 Serve o intróito a breve comentário sobre o novo presidente dos Estados Unidos da América do Norte. É negro, isto é óbvio, não aquela pele azulada que dá, é certo, o tom adequado à pureza da raça, sabendo-se, miscigenada ou não, que a estirpe negra é, em muitas facetas,  superior à branca. Os pretos suportam melhor a dor, têm desempenho físico mais acentuado, correm mais, saltam mais alto e, se lhes dermos condições culturais análogas, são capazes de vencer, intelectualmente, eventuais opositores portadores de menor carga de melanina na pele. Conheço alguns poucos advogados negros competentíssimos. Aliás, duplamente competentes, porque venceram, antes, rudes obstáculos opostos ao aprimoramento profissional, a partir, inclusive, do curso de Direito.  

 Dir-se-á que a crônica é repetitiva, porque já se escreveu, milhares de vezes, que o presidente dos Estados Unidos da América do Norte é preto, perdendo-se tempo na insistência. Indague-se, agora, o que tem Da Vince com Obama. Além de outras dissemelhanças, Leonardo é branco.  Há, entretanto, uma semelhança entre ambos, Obama e Leonardo: Este era canhoto.   Na medida em que já se escreveu até mesmo sobre o tamanho dos pés do presidente da nação norteamericana, é impossível não se ter percebido que Obama assinou o termo de posse –foto divulgada no mundo inteiro-com a mão esquerda, ou seja, sinistramente (sinistro é sinônimo de canhoto).  Os “papparazzi” são obsessivos enquanto tentam encontrar, em figuras proeminentes, alguma excentricidade memorável. Pois bem: embora se use a esquerda com mais assiduidade, tal costume não serve a críticas ou elogios , mas é bom notar que, em se tratando do homem mais poderoso do mundo, a deformação pode levar muitos e muitos a uma atividade imitativa, bastando dizer que o rosto do jovem líder já faz parte de museu de cera, havendo milhões de máscaras  suas  espalhadas por aí.   Aqui mesmo, no Brasil, se um político qualquer, ou mesmo uma feminista exponencial, tira uma verruga ou faz uma correção nasal numa clínica de cirurgia plástica, tem a efígie exposta à visitação pública. Obama assinou a posse com a mão esquerda. Volto a Leonardo Da Vinci: desde a adolescência, profundamente extasiado com as habilidades do grande pintor, desenvolvi certa habilidade em escrever com a esquerda, fazendo-o, entretanto, da direita em sentido oposto. Tal iniciativa tinha e tem alguma utilidade em audiências, porque as anotações da defesa não podem ser lidas por um curioso acusador. Salvante a particularidade, vale o hábito apenas a título de curiosidade. Se houvesse bilateralidade no uso dos pés seria diferente. Dizem-me que não há jogador de futebol, hoje, que não chute com o esquerdo e o direito. Os comentaristas costumam dizer:- “Chutou com o pé bom”. Pelé usa os dois muito bem. Conheci-o quando muito moço. Tenho em algum lugar uma foto dele autografada com algumas firulas: – Ao doutor Paulo Sérgio, do Edson Arantes do Nascimento – Pelé.

 Eu mesmo, quando jogava futebol, usava o esquerdo até o dia em que, numa final do campeonato interno em colégio de  “Irmãos Maristas” chutei o vento, cara-a- cara com o goleiro adversário, erro terrível porque seria o tiro que nos daria a    vitória. Nunca mais joguei futebol…

 Já se vê que uma prosaica tendência à esquerda do presidente Obama pode levar a conjunturas múltiplas, principalmente quando seu primeiro ato foi suspender os julgamentos em Guantánamo. Com certeza, há de aproximar a América do Norte a Cuba, sustando o antigo embargo que deixa àquele país, entre outras particularidades, o uso de vistosas “banheiras” nas ruas, demonstrativos, aqueles carros, dos saudosos “anos dourados”.   

 No fim de tudo, não por Da Vinci, mas por Obama, aprestem-se milhões de seres humanos a praticar com a esquerda. Desenvolve-se a musculatura e se escondem, em algumas oportunidades, as verdadeiras intenções da escrita.
* Advogado criminalista em São Paulo há cinqüenta anos.

 

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