Home » Ponto Final » Israel Assassina Crianças? (com vídeo)

Israel Assassina Crianças? (com vídeo)

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Israel Assassina Crianças?


 

 Há na literatura mundial um livro denominado “Sem olhos em Gaza” cuja primeira divulgação, feita em 1936, permite reflexões sobre a cegueira humana. O título, na “Internet”, é corrompido porque o que se localiza é “Cem olhos em Gaza”, ou seja, uma centena de olhares dirigidos a tal destino. Pelo sim ou pelo não, o que existe nos endereços da mídia eletrônica é curioso. Veja-se, por exemplo, a expressão “Cem olhos por um olho”. Fica tudo muito esquisito, sabendo-se, entretanto, que o livro “Sem olhos em Gaza” foi escrito em 1936 por Aldous Leonard Huxley, autor, entre outras obras, de “Admirável Mundo Novo”. A corruptela do título do livro vem a calhar enquanto se analisa a tragédia envolvendo a guerra entre israelitas, de um lado, e palestinos, do outro, tudo dizendo com dezenas de mísseis caseiros desfechados pelo “Hammas” e o contragolpe certeiro, preciso e violentíssimo praticado por Israel. Parece que os ataques palestinos não são oficiais mas, sim, produtos de esforços não estatais (fatos discutíveis), sabendo-se, entretanto, que os israelitas têm na agressão ou reação o esforço do Estado enquanto tal. A briga se perde na antigüidade. Convenha-se, entretanto, que os judeus, a partir do esforço monumental que lhes permitiu obter e conquistar, mantendo-o, território adequado à constituição de um Estado-Nação, se decidiram a demonstrar por pensamentos, palavras e ações, não estarem mais dispostos a carregar no peito a tatuagem advinda, dois mil anos atrás, do sacrifício de Cristo. Não se faça qualquer apreciação sobre a oportunidade ou não da mudança de atitude, mas é preciso notar o óbvio: há, no mundo todo, esforço concentrado de masculinização dos herdeiros de tal discutível herança. Obviamente, Israel é, hoje, uma nação guerreira, com exército bem aparelhado e máquinas de guerra muito produtivas, notando-se que na tradição hebraica a raça se perpetua pelo ramo materno. Dentro do contexto, existe uma espécie de descendência à maneira das “Amazonas”. Isso vem dos tempos de Pompeu Magnus e Nero. No fim das contas, expurgando-se os sofrimentos multimilenares impostos a esse povo, sem descuramento dos campos de concentração de Berna e Dachau, entre outros, os judeus constituem um povo entre muitos, não valendo a respeito simpatias ou antipatias. Vê-se, no entanto, que há no mundo inteiro reações cada vez mais concentradas sobre a agressividade com que o Estado de Israel está a praticar retaliações àqueles que vêm, do lado palestino, desfechando mísseis indiscriminadamente contra o território judaico. Dentro de tal contexto, o presidente Shimon Peres e o premier Ehud Olmert devem estar carregando, querendo ou não, o castigo correspondente à morte de duas ou mais centenas de crianças palestinas, não valendo dizer que ambos não determinaram tal conseqüência. A situação é muito simples: embora não se cuide, aqui, do denominado “Efeito Borboleta”, sabem os dois, mais alguns, inclusive aqueles que apertam os gatilhos, que há infantes morrendo no outro lado, não se justificando o argumento no sentido de que os palestinos não sabem proteger seus filhos. Afirmativa desse teor beira a loucura moral. Presidentes e ministros podem enlouquecer. Há exemplos análogos na história da humanidade. De qualquer forma, valeria ampliação de foto hoje publicada na imprensa mundial mostrando cadáver de garota com seus 10 ou 11 anos sustentada no colo de um adulto e chorada, a defunta, por muitos circunstantes. É fotografia para que cada um dos dois carregue sob o travesseiro ou pendure na sala de visitas da casa de cada qual. Dir-se-á que a guerra é assim. Isso vale a título de desculpa, talvez, mas obriga a que os líderes da carnificina ensangüentem a fronte, ajoelhados, no muro das lamentações, em Jerusalém, pedindo perdão a Maomé. O Profeta Mohamed sabe das coisas. Há de perdoar, inclusive, assassinos de crianças. Consulte-se o Alcorão. Os rabinos, bons intérpretes, olhando as crianças defuntas, hão de encontrar a solução…    

 Tocante aos palestinos, escrevi certa vez, já faz muito, que sempre há de sobrar alguém atrás das dunas, o dedo no gatilho, aguardando tempo certo para a vingança. Há, aliás, episódio bíblico de sobrevivência: a criança, dentro de um cesto, é arrastada na correnteza do rio e recolhida pela rainha. No episódio, ainda prevalente, acautelem-se os israelenses agressores. Gaza tinha, segundo cálculos razoáveis, cinqüenta mil petizes já desnutridos. Meninos e meninas constituem quase cinqüenta por cento da população de Gaza, isto é, seiscentos mil jovens. Haja guerra! ou então, extermine-se a população infantil da Palestina.


*Advogado criminalista em São Paulo há cinqüenta anos.

Deixe um comentário, se quiser.

E