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Para Rodrigo Rebello Pinho e Athayde Buono – “Ou Genipabu”. (com vídeo)

Paulo Sérgio Leite Fernandes
Para Rodrigo Rebello Pinho e Athayde Buono
“Ou Genipabu”


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 No dia 14 de novembro, na Conferência Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, realizada em Natal, o presidente, Cezar Brito, honrou este advogado convidando-o a desenvolver um tema delicadíssimo: “– O Ministério Público e as Prerrogativas dos Advogados”. Aquela solicitação provinha, quem sabe, de uma espécie de desagravo porque todos sabiam que este cronista sofria, na 31.ª Vara Criminal de São Paulo, ação penal por ter em tese caluniado o ex-Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo Rodrigo Rebello Pinho, afirmando, durante sustentação oral produzida em habeas corpus impetrado em favor do também advogado E.D., que o Ministério Público do Estado de São Paulo pagava policiais militares, em trajes civis, disfarçados portanto, para secundarem um órgão denominado GAECO em investigações, buscas, apreensões e condutas assemelhadas enquanto componentes daquele segmento perseguiam suspeitos da prática de crimes habituais.
 

 Quem leu o “Livro Negro” que este articulista fez distribuir tomou ciência de que o cronista, realmente, disse aquilo tudo. Processado, provou a verdade da afirmativa e, perdendo a paciência com a lerdeza da ação penal, impetrou habeas corpus ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo sob o n° 990. 08.078800-0, vendo-o deferido unanimemente pelos Desembargadores Louri Barbieri (relator), Poças Leitão e Eduardo Braga, trancando-se a ação penal por lhe faltar justa causa, porque o paciente (este cronista) dissera a absoluta verdade.

 Entre a sessão da qual resultou a ação penal contra este advogado e o trancamento do processo transcorreu prazo superior a um ano, embora a ciência só tivesse acontecido quatro meses atrás. Evidentemente, um processo criminal dói bastante, porque, na hipótese vertente, fere a dignidade do acusado. Não foi por razão outra que o cronista, antes de impetrar o habeas corpus referido, subscrito pelos jovens mas competentes advogados Rogério Seguins Martins Júnior e Otávio Augusto Rossi Vieira, se recusou terminantemente a ser interrogado na Vara de origem, entendendo, aliás, que se cuidava de denúncia absurda, vez que havia prova absoluta da assertiva feita. Ao lado daquilo, o cronista entendia que apenas ripostara a uma ofensa à classe dos advogados, praticada durante o debate pelo Procurador Athayde Buono, pois aquele acusador público acentuava, numa indireta cruel, que uma organização criminosa pagava advogados competentes para a defesa dos seus filiados. Referia-se o persecutor, evidentemente àquele adversário que ocupava a tribuna em defesa do colega processado.

 Com o trancamento da ação penal por reconhecimento de verdade insofismável, o incidente parece encerrado, a menos que se pretenda reavivá-lo. De qualquer forma, a alma está lavada. O cronista lamenta apenas que o acidente de percurso, grave por certo, não haja obtido encerramento após a sessão incriminada, quando os partícipes largam suas togas e voltam à rotina da vida externa. Quanto ao articulista, usa as vestes talares que foram de seu avô, que já as usava advindas do próprio pai. Valem aqueles panos pretos, hoje esgarçados mas ainda vestindo bem, para dizer ao ex-Procurador Geral de Justiça e a Athayde Buono que, aos 73 anos de idade e 50 anos de advocacia criminal exclusiva, o cronista conserva energia e saúde para brigar mais, se necessário for.

 Em Natal, antes da palestra, visitei uma praia chamada Genipabu. Ficava além de um vilarejo. Naquela vila havia uma velha encarquilhada. Era só osso. Percebi isso quando a mulher, em prantos, se abraçou em mim depois que lhe dei R$50,00, correspondentes a 1 mês de vendagem das quinquilharias que trazia num saco de pano sujo. O filho, segundo me explicou, apodrecia na cadeia da cidade grande. Prometeu-me, chorando, que ia rezar por mim durante o resto da sua vida. A mulher foi a única pessoa que soube me explicar o significado de “Genipabu”. Contou que uma caiçara de nome Geni tinha brigado com o companheiro. Levou uma bofetada: “pa”. E então, caiu: “e foi bu”. Daí a união das 3 palavras produzindo o nome da praia. Dentro do contexto, para suavizar a crônica, deixo ao ex-Procurador-Geral de Justiça de São Paulo e ao Procurador Athayde Buono o fecho da crônica. Os dois, à semelhança de Geni, se comportaram mal. É “pa”. Depois, é “bu”.

Por enquanto, é só.

Um Comentário sobre “Para Rodrigo Rebello Pinho e Athayde Buono – “Ou Genipabu”. (com vídeo)”

  1. Rita Araujo disse:

    A informação sobre o significado deJenipabu,que deve ser grafada com “J “é incorreta.Na realidade A palavra tem origem na língua tupi JENIPAB _U,que significa comer jenipapo,uma fruta comum no Rio G do norte,e o pior, é que essa história da Geni com seu companheiro tem sido muito divulgada para os turistas,abraços>

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