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Companhia do Latão – Livros (com vídeo)

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Companhia do Latão – Livros


 

 A Companhia do Latão, “troupe” teatral que acompanho há 20 ou mais anos, desde o tempo em que Gustavo Bayer, um dos atores que a integrou, começava carreira a partir da EAD (Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo), acaba de lançar primoroso livro contendo sete entre as peças já montadas pelo grupo. “O nome do sujeito”, “A comédia do trabalho”, “Auto dos bons tratos”, “O mercado do gozo”, “Visões siamesas”, “Ensaio para Danton” e “Equívocos colecionados” são os títulos dos textos que Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano criaram ou adaptaram, como diretores e produtores, para o desenvolvimento dos múltiplos espetáculos teatrais listados. Acompanhando-os há duas décadas, sei dos sacrifícios, teimosia e coragem demonstrados por esses moços que, hoje, transformaram a “Companhia do Latão” num dos mais respeitados conjuntos de teatro que o Brasil tem. Vi, por exemplo, “Ensaio para Danton” várias vezes, reincidindo, também, na apreciação de “O nome do sujeito”. O enfoque quase rotineiro das peças tem direcionamentos na exposição da luta de classes.  Meu texto preferido é “Ensaio para Danton”. Sempre me interessei pela época que gerou a revolução francesa, lamentando que aquela insurreição tenha sido a provocadora de rios e rios de sangue na praça da Bastilha e adjacências. Embora havendo óbvias diferenças entre a  morte física dos lideres que se sucederam naquela revolução e a história política do Brasil hodierno, há semelhanças também muito evidentes entre as intermitências do mando, aqui e lá. Melhor dizendo, o líder de ontem é o decapitado do amanhã, característica presente, aliás, em toda entressafra das alterações políticas nas Nações. Vale lembrar, respeitante a isso, as alterações havidas na condução das investigações antes coordenadas, em São Paulo, pelo juiz “De Sanctis”. O moço está na berlinda dos contragolpes desferidos enquanto se equilibram os contrastes. É bom, então, que se tenha conduzido, aquele magistrado, com imensa observância da legalidade, única vestimenta salvadora de quem se comporta, em investigações criminais, com tal agressividade acentuada.

              Já se viu que a Companhia do Latão serve, com suas peças, até mesmo às cogitações sobre as tempestades havidas no panorama judiciário brasileiro.

              Os moços da Companhia, autênticos “Scaramouches” modernos, sabem o que fazem. E o fazem muito bem, diga-se para finalizar.


*Advogado criminalista em São Paulo há cinqüenta anos.

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