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Os dois Ministros Sebastião dos Reis

 (PSLF)

Deu-se ao fórum da Justiça Federal de Ipatinga, há algum tempo, o nome do Ministro Sebastião Alves dos Reis, que pontificou durante muitos anos no Superior Tribunal de Justiça. O eminente Ministro era família, pois casado com Lúcia Leite, tornando-se, adiante, muitíssimo querido pelos dotes intelectuais e pela candura com que demonstrava afeto recíproco. O Ministro Sebastião Reis fora magistrado Federal em Belo Horizonte, Minas Gerais, origem dos Almeida Leite. Este advogado criminal o conheceu lá atrás, enquanto amadurecia para o exercício da advocacia. Sebastião Reis era calmo, reflexivo, bonachão até, mas respeitadíssimo, desfrutando, já, do acarinhamento de todo o meio jurídico das Minas Gerais, cumprindo, futuramente, seu destino de ocupar assento no segundo maior Tribunal que o Brasil tem.

O Ministro Sebastião Reis morreu. Sem redundância alguma, morrer é fatal. Dele sobraram a lembrança, a saudade engrandecida nos sobreviventes e algumas fotos, com exemplo posto abaixo do texto. Além disso, deu-se-lhe o nome ao fórum Federal da Comarca mencionada. Dizia Ariano Suassuna que a denominação de logradouros públicos deve ser identificada por todos, pois sempre há razões para a inscrição da honraria. O escriba, aliás, sempre assim fez: uma praça bucólica, uma ruazinha tranquila, um nome marcado a fogo numa placa de bronze grudada na edificação pontuando na cidade, como o fórum Ministro Sebastião Reis. É gostoso de ver, principalmente para aqueles que o conheceram.  Mas a crônica ainda não terminou. O Ministro partiu, sim, mas o filho Sebastião Reis Júnior lhe perpetua a memória, porque veste agora, e já há muito, a toga que engalanou o pai no Superior Tribunal de Justiça, ambos com mesma identidade, sobrando ao moço o acréscimo de um Júnior. Pai e filho deixam ou marcam no STJ o brasão de honestidade, cultura e coragem no exercício da dificílima arte de distribuir justiça.

Este escriba envelheceu. Comunicava-se pouco com Sebastião Reis pai, não por falta de saudade, mas por entender que advogados e juízes precisam pagar o preço, que é caro, do afastamento protocolar, cônscios de que mais cedo ou mais tarde os caminhos se cruzam, sendo melhor haver distância impeditiva de constrangimentos. Vale o mesmo para Sebastião Reis Júnior, também acompanhado ao longe na magistratura, embora haja muita vontade de um amplexo mais estreito entre a toga e a beca. Melhor, apesar disso, ficar como está: é preço pago pela independência e tranquilidade de ambos.

O escriba tem em casa uma foto da estirpe. Sebastião – pai  aparece lá. Ao lado, ou embaixo, como acontece nas fotografias das comunidades ligadas pelo sangue, há três crianças, garotos loiros e risonhos arredondando a troupe. Um destes é, com certeza, o hoje Ministro Sebastião Reis Júnior, escolhido pelos fados para suceder ao patriarca. Não se conhecia ao tempo, é óbvio, a direção do caminho a trilhar, ou a vontade da esfinge, mas aconteceu: as mesmas vestes talares servem aos dois. O passado marcou a presença do primeiro e enlaçou, no futuro, a figura do descendente. No meio disso tudo, entre parentes e amigos resta este escriba, feliz porque pode, na imaginação, abraçar os dois com a mesma força sincera e constante. No mais, a existência continua seguindo seu rumo egoísta.

E La Nave va.

 

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