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Briga Interna da OAB – III

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Briga Interna da OAB – III
 


                Aproximando-se o fim do triênio, redesperta a consciência democrática em todo país, na OAB, com relevo para São Paulo, que tem duzentas e muitas subsecções e mais de duzentos mil advogados inscritos. As eleições para renovação do Conselho Seccional paulista, englobando as Subsecções, acontecerão, como é praxe, na segunda quinzena do mês de novembro. Afiam-se as tendências, abroquelando-se os possíveis candidatos em apoios diversos, alguns deles suportados por uma ou outra universidade paulista de grande porte, sabendo-se, e aqui não sei a razão, que tais instituições devem ter interesse desinteressado na vitória de um ou de algum grupo, valendo relembrar que a campanha para renovação do Conselho Seccional custa, hoje, bem mais do que o indispensável à propaganda de candidatos à Câmara dos Deputados. Fundamentalmente, a renovação dos Conselhos Seccionais pede dinheiro. Importa realçar que as eleições realizadas no último triênio, em que a efígie dos líderes era repregada nos postes, tiveram divulgação pelos canais de televisão, com vantagem desmesurada para um dos pretendentes. É preciso capital, sim, e muito. Normalmente, o custo previsto é repartido. Hoje, havendo em São Paulo previsão de noventa conselheiros por chapa, requisitando-se outros seis para a titularidade e a suplência no Conselho Federal, o custo é dividido pelos noventa e seis. Assim, em tese, quase uma centena de advogados desembolsa a quota-parte individual, construindo o montante a ser utilizado em panfletos, faixas, agências de publicidade, pesquisa de intenção do eleitorado, tendências dos antigos e dos jovens, brindes, viagens pelas seiscentas Comarcas e quejandos. Um desatavio volumoso, sabe-se bem, sendo necessário realçar que a grande maioria dos duzentos mil profissionais postos no mercado pela negligência, omissão e cupidez plasmadas a partir do Ministério da Educação, não têm, sequer, condições mínimas para o sustento da família. Entretanto, repita-se, o reforço democrático relembra às antigas e às novas lideranças que a OAB é um centro de poder, merecendo, portanto, a acirrada disputa que se avizinha. Diga-se que a disputa é agressiva, porque já amadurecem, no mínimo, seis facções, uma norteada por Vitorino Francisco Antunes Neto, outra capitaneada por Luiz Flávio Borges D’Urso, uma terceira chefiada por Orlando Maluf Haddad, uma quarta embandeirada na liderança de Ademar Gomes (Presidente da AAcrimesp), uma quinta pelo atual secretário-geral Walter Uzzo e a última comandada por Euro Bento Maciel e Alberto Rollo. Contam-se, então, quinhentos e quarenta candidatos, no mínimo, deixando-se de lado as candidaturas à Caixa de Assistência, esta  transformada em OAB à margem, diga-se de passagem, concentrando-se na mesma uma enorme parcela de poder, porque cuida daquilo que o advogado tem de mais precioso, a saúde, distribuindo benefícios aos necessitados.  Fazendo-se cálculo módico, além dos estipêndios (doações), advindos de um ou outro daqueles organismos universitários primeiro citados, cada candidato há de desembolsar R$10.000,00 (a antigüidade deixa meu cálculo ultrapassado), somando tudo a pequena fortuna de cinco milhões e quatrocentos mil reais. Lembro-me de uma eleição em que um simpatizante ofertou vinte bois de raça, usados em churrasco ou vendidos a açougues. O candidato bovino não venceu, mas, se vencesse, não se sabe o que o fazendeiro quereria de volta. De qualquer forma, as chamadas doações desinteressadas são e foram sempre raríssimas. Lembro, recordo-me de que quando houve a campanha “Doe ouro pra o bem do Brasil”, eu prevenira minha primeira sogra (sou dos raríssimos a ter duas sogras extraordinárias e duas esposas magníficas, a primeira morta há tempos, a segunda viva e diferenciada companheira), dizendo-lhe que suas alianças iriam pro chapéu. Foram. Firmado no exemplo, é bom prevenir os doadores de eventuais instituições de ensino que não confiem muito nas promessas dos donatários, pois os exames de ordem sempre foram e serão muito sérios, haja o que houver. Bom é assentar, também, que a grande maioria dos deputados eleitos traz compromissos com os adeptos mais importantes. Assim, um é ruralista, outro é evangélico, um terceiro é sindicalista, um quarto é muambista e assim por diante. Tal pressuposto não pode ser válido para a Ordem dos Advogados. Finalizando, é preciso deixar bem posto que os seis candidatos precisam, sobretudo, de uma qualidade que independe dos dinheiros postos na algibeira: a coragem de exigir das autoridades o respeito às prerrogativas dos advogados. Nessa acepção, aguarda-se dos seis uma visita aos oito ou nove advogados emporcalhados no 13.º Distrito Policial de São Paulo, recolhidos há vários meses, aliás, apesar da promessa, feita pessoalmente ao infra-assinado, pelo Secretário-Adjunto da Segurança Pública, Marcelo Martins Oliveira, ex-conselheiro da Seccional de São Paulo, de resolver a questão, isso há mais de ano. Dir-se-á que eu deveria resolver o problema. Só falta bater no moço, ressaltando-se que ele é jovem e muito mais forte do que eu. O resto eu já fiz. Portanto, a título de fecho, convidem-se os 540 candidatos à reflexão sobre o tema. Poder-se-ia pensar em 540 visitas àquela pocilga, esmurrando-se as portas dos xadrezes imundos. Enquanto isso não acontecer, fico aqui no meu canto, muito atento, aguardando a aparição do ou dos heróis salvadores, mormente daqueles subscritores dos manifestos de apoio. Vale a pena esperar. Quem espera sempre alcança. 

* Advogado criminalista em São Paulo há quarenta e quatro anos. Esta crônica é personalíssima. Retiro meus títulos.

**Se não quiser receber meus pontos finais, bloqueie meu endereço eletrônico (pslfa@uol.com.br). Nada, no mundo,  pode ser feito contra a vontade. Respeito a privacidade de cada qual.

***Consulte meu site, se quiser. Esta crônica tem vídeo (www.processocriminalpslf.com.br).

2 Comentários sobre “Briga Interna da OAB – III”

  1. Dorival disse:

    Suas palavras e o teu olhar inspiram confiança ao nsos leitores. Mas nobre causídico, o que poderíamos fazer, para que mal advogados, não mergulhem de cabeça em crimes, principalmente os de naturuza sexual, onde alguns colegas orietam os familiares e amigos do MONSTRO a difamar a vitima e familaires da vítima, cometendo barbaridades ainda maiores. Principalmente colegas que pertercem a MAÇONARIA, utilizam-se de seus poderes maçonicos e influências nos Tribunais para tentarem inocentar esses maníacos, que na verdade, deveriam ser coonduzidos a prisão o mais rápido possível para que aquietação da sociedade. E ainda obrigam os MAÇONS pais de vítimas do irmão pedófilo a OMITIREM e obrigarem seus filhos OMITIREM tais fatos com o intuito de beneficiar o irmão. Isso com certeza ultrapassa todos os limites da finalidade maçonica e envergonha todos os irmãos e a sociedade de uma forma geral.

  2. Dorival disse:

    Suas palavras e o teu olhar inspiram confiança ao nsos leitores. Mas nobre causídico, o que poderíamos fazer, para que mal advogados, não mergulhem de cabeça em crimes, principalmente os de naturuza sexual, onde alguns colegas orietam os familiares e amigos do MONSTRO a difamar a vitima e familaires da vítima, cometendo barbaridades ainda maiores. Principalmente colegas que pertercem a MAÇONARIA, utilizam-se de seus poderes maçonicos e influências nos Tribunais para tentarem inocentar esses maníacos, que na verdade, deveriam ser coonduzidos a prisão o mais rápido possível para que aquietação da sociedade. E ainda obrigam os MAÇONS pais de vítimas do irmão pedófilo a OMITIREM e obrigarem seus filhos OMITIREM tais fatos com o intuito de beneficiar o irmão. Isso com certeza ultrapassa todos os limites da finalidade maçonica e envergonha todos os irmãos e a sociedade de uma forma geral. É somente acompanhar HC emitidos por Desembargadores do TJ/SP, em especial daqueles que foram empossados através do Quinto Constitucional.

Deixe um comentário, se quiser.

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