OS GAÚCHOS

Roberto Delmanto

 

Em dois preciosos livros (“Alguns Personagens de nossa História” e “Os Pica – Paus e os Chimangos”), o eminente criminalista gaúcho Amadeu de Almeida Weinmann relata frases de grandes figuras da advocacia e da política do Rio Grande do Sul que merecem ser lembradas:

Do advogado criminal Pereira da Cunha, ao discursar no enterro de Júlio de Castilhos, ex- Presidente do Estado: “Se houvesse um processo de cristalização da lágrima, o teu ataúde, Júlio, não seria de madeira, nem teu túmulo de granito”.

Do próprio Júlio de Castilhos, enfatizando os bons exemplos deixados pelos que já se foram: “Os vivos serão sempre e cada vez mais governados necessariamente pelos mortos”.

De Honório Lemes, revolucionário, sobre a prevalência das leis:  ”Quero leis que governem homens e não homens que governem leis”.

De Joaquim Francisco de Assis Brasil,líder político e revolucionário de 1930, sobre o bem e o ideal: ” O único prazer real, intenso e durável, é o convencimento sincero de haver sido bom e feito o bem”. “Eu era, sou e espero morrer idealista”.

De Flores da Cunha, Governador e Senador do Rio Grande do Sul, avô do advogado, ex- Deputado Federal e ex- Vice Presidente do STM Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, explicando porque tendo tido grande sucesso como advogado e sido um rico fazendeiro, chegara ao final de sua vida pobre: “Cavalos lerdos e mulheres ligeiras”.

De Oswaldo Aranha, ex- Ministro das Relações Exteriores, sobre o futuro do nosso país: “Sempre afirmei e repeti, que o Brasil seria grande com, sem e até contra nossa vontade”.

De Walter Jobim, advogado e ex- Governador do Rio Grande do Sul, avô do ex- ministro do STF Nelson Jobim e do advogado Walter Jobim Neto, sobre o arbítrio, a democracia, a ditadura e o ódio na política:”Há no espírito humano uma tendência para o arbítrio. A lei nada mais é do que o cerceamento desse mesmo arbítrio”. “Onde o poder legislativo não goza da mais ampla liberdade de ação sucumbe tragicamente a democracia”. “A ditadura por ser branda não deixa de ser ditadura”. “Todo o sistema que prega o ódio e a violência conspira contra a própria vida.Por ser tolerante, por ser humano, por ser justo ninguém terá de ser arrepender”. “Não trago uma sacola de ódios nem de malquerenças. Se porventura tivesse armazenado, tê-la- ia jogado à margem do caminho”.

 E, de autoria desconhecida,sobre a beleza de Maria Adelaide Andrade Neves Meireles, Baronesa do Triunfo, pivô da briga entre o alagoano Deodoro da Fonseca  e o  gaúcho Gaspar da Silveira Martins,que trocara o primeiro pelo segundo , levando Deodoro, que fora sempre leal a D. Pedro IIe  estava acamado, a levantar-se e proclamar a República, quando ficou sabendo que o Imperador convidara seu desafeto para ser Primeiro-Ministro: “Olhos negros fatais, mas bem amados, que zangados ferem, que sorrindo matam “…

Deixe um comentário, se quiser.

E