PARA ONDE FOI O PERFUME DAS ROSAS ?

Roberto Delmanto

 

         As rosas já foram minhas flores preferidas por sua beleza e perfume.

         Dei muitas para a mulher que amo e outras, certa vez, a um colega que admiro. Dizem que um homem não deveria dar flores a outro homem, mas penso que um admirador pode dá-las.

         Hoje, em virtude da tecnologia agrícola, as rosas ganharam em tamanho e variedade de cores, mas, misteriosamente, perderam seu perfume. Para onde ele foi, não sei…

         Ao vê-las no jardim de casa, florescidas ou ainda em botão, achei que algo semelhante talvez possa estar ocorrendo no universo feminino.

         As mulheres, por séculos e ainda hoje, com mais ou menos intensidade, dependendo da cultura local, sempre foram vítimas de um machismo estrutural.

         Prevalecendo-se da maior força física e por vezes da melhor condição financeira, muitos homens as agridem física, psicológica e moralmente. Há aqueles que as consideram sua “propriedade”; absolutamente ciumentos e possessivos, podendo chegar ao feminicídio.

De há muito, felizmente, foi afastada do direito penal a chamada “legítima defesa da honra conjugal”. Ela não existe por ser a honra um bem personalíssimo. Assim, a desonra seria de quem trai, não de quem é traído…

Como advogado criminalista e cidadão dou total apoio às mulheres que lutam pela igualdade entre os sexos e gêneros. São, a meu ver, verdadeiras heroínas que, em diferentes profissões, inclusive na advocacia, vão abrindo caminho para a concretização desse ideal civilizatório.

Existe, todavia, uma minoria que se excede, o que seria até compreensível depois de tanto tempo de sofrimentos e humilhações.

Tornam-se, por vezes, por demais agressivas como se todos os homens fossem merecedores de seu desprezo. Praticam, sem o perceber, um “machismo às avessas…”

Ao fazê-lo, enfraquecem o movimento feminista. Perdem o que de mais belo têm, aquilo que as torna, a meu ver, não iguais, mas melhores do que nós, homens: a doçura, a delicadeza e a sensibilidade, ou seja, seu próprio perfume.

No imortal samba de Cartola, dedicado à mulher amada, “as rosas não falam, simplesmente exalam o perfume que roubam de ti”.

Agora, as novas rosas, já sem perfume, não teriam de quem roubá-lo…

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