O ADVOGADO BRAVO

 

Roberto Delmanto

 

Tanto na vida pessoal quanto profissional, até por temperamento, sempre preferi fazer amigos do que inimigos, ser diplomata ao invés de briguento, tratar bem a todas as pessoas, independentemente de sua classe social, respeitando-as e evitando magoá-las.

Por isso mesmo, nas raríssimas vezes em que dou uma “bronca” em um funcionário ou estagiário do escritório, ou mesmo em algum cliente, eles, surpreendidos pela minha incomum atitude, se ressentem mais do que seria normal.

Certa vez, um jovem comerciante de muito sucessome procurou. Desconfiava que o sócio estivesse se apropriando de dinheiro da firma.

Como não tinha nenhum dado concreto, mas apenas suspeita, indiquei-lhe um auditor contábil de grande valor e de minha inteira confiança para fazer um levantamento completo dos últimos cinco anos da empresa.

Expliquei-lhe que só a partir da descoberta e comprovação de um desfalque, poderíamos tomar uma medida criminal contra o sócio.

Como a auditoria era complexa e estivesse demorando, o cliente começou a se tornar impaciente.

Numa reunião comigo e com o auditor, o jovem foi, mais de uma vez, indelicado com este. Censurei-o, dizendo que deveria tratar o auditor com mais respeito, não só pela competência dele mas também por ser mais velho. E ainda: se não confiava na minha indicação, deveria procurar outro auditor e outro criminalista.

Foi aí que o moço, surpreso, me disse: “Doutor Roberto. Me desculpe, mas agora que vi que o senhor também sabe ser ‘bravo’, fico mais tranquilo e confiante em ser seu cliente…”

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