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O Assassino por Vocação (ou A tragédia do Serial Killer)

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
O Assassino por Vocação (ou A tragédia do Serial Killer)

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O jornal “O Estado de São Paulo” da semana passada, começo de julho de 2010, traz curiosíssima entrevista de um cientista norte-americano atinente à análise do “serial killer” ou, em tradução livre, do homicida em série. Aquele entrevistado, professor em respeitada universidade dos Estados Unidos da América do Norte, faz uma espécie de autoanálise, acentuando que seu cérebro, submetido a tomografias, revelou determinada zona sugestiva de vocação da criatura ao cometimento de crimes violentos, a exemplo de um ou outro antepassado seu, circunstância felizmente não transmitida aos filhos. O intelectual em questão deve ter precisado de dose grande de coragem para expor publicamente possível defeito na psique predestinando comportamento não muito saudável. Mas o entrevistado explicou, também, que fora uma criança muito acarinhada e bem educada numa família estável, o que teria contribuído para a manutenção da estabilidade. Já vi, aliás, num livro qualquer sobre psicologia, que o menino de hoje é o homem de amanhã. Deve haver razão para tanto, porque quando me devoto a analisar alguém, vou reduzindo as criaturas aos tempos de colégio primário, a ponto de deixá-la de calça curta no pátio da escola, jogando futebol ou aproveitando o horário de recreio para os folguedos apropriados à idade. É esquisito isso, mas os garotos de antanho não se modificam depois de maduros. O menino gordo e brincalhão vira um homem propenso, eventualmente, a vendedor de seguros ou até mesmo a cômico de televisão.

Há boa razão para o afunilamento da crônica. O assunto diz muito de perto com a pérfida influência que a imprensa em geral tem na imitação de crimes praticados com requintes de violência contra a pessoa. É lembrar de “Columbine”, drama este praticado mais tarde em várias partes do mundo. Vale a pena recordar, também, a imitação do romance posto no livro “Madame Bovary”, gerando-se na Europa, à época, série grande de suicídios consumados com uso de vitríolo. A propósito de outra alternativa, é conveniente lembrar “O silêncio dos Inocentes”, em que Hannibal, personagem principal, é acorrentado em pé, numa empilhadeira ou coisa parecida, sendo exposto ao devoramento por porcos do mato ou, talvez, javalis.

Tais antecedentes não têm, é claro, relação mínima com o drama, posto hoje nos jornais do mundo inteiro, envolvendo criatura afamada nos meios esportivos. É bom dizer, apesar disso, que se deve ter muito cuidado na divulgação de particularidades concernentes  à hipótese vertente, pois o ser humano é reincidente na imitação das coisas más. Aqui, ressumaria supinamente a censura praticada pelos próprios órgãos de divulgação.

* Advogado criminalista em São Paulo há cinquenta e um anos

Um Comentário sobre “O Assassino por Vocação (ou A tragédia do Serial Killer)”

  1. Gilberto de Amaral Macedo disse:

    Prezado Dr. Paulo Sergio sempre gostei do Direito Penal e Processual Penal, embora, é certo, nunca tenha me atrevido a militar em tais áreas. No entanto, devido ao atento acompanhamento das relevantes e hodiernas matérias divulgadas pelo nobre colega, estou tentado, agora após vinte anos de continuo exercício da advocacia, a dedicar me mais seriamente ao estudo do Direito Penal.
    Parabéns pela sua iniciativa.
    Um forte abraço.

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