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O sol é para todos (To kill a mockingbird)

O sol é para todos
(To kill a mockingbird)

                “To kill a mockingbird” é um clássico. A história em que se baseia, escrita por Harper Lee, recebeu o prêmio Pulitzer em 1961.  Gregory Peck, extremamente elegante no papel do advogado Atticus Finch, foi premiado com o Oscar de melhor ator. O filme – disponível em VHS e DVD – merece ser visto ou revisto sob o olhar da atualidade.

                   Entrelaçam-se na trama, de forma simples e frontal, argumentos que destacam diferentes formas de exclusão social: etnia excluída, deficiente mental socialmente repudiado e pessoas economicamente menos favorecidas. Paira no ar a mensagem de que a discriminação e a exclusão estão a um passo da perseguição penal e que, no final das contas, é inevitável que os conflitos sociais acabem por desaguar na justiça penal.

                    Durante a depressão, ao Sul dos Estados Unidos, numa pequena cidade, onde nascer branco era preciosa vantagem, um negro, Tom Robinson, é acusado injustamente de ter estuprado uma mulher branca. Atticus Finch é encarregado de defender esse homem perante o júri. E o defende porque defender é seu trabalho, independentemente de quem seja o acusado.

                    O advogado enfrenta não só o processo, mas também medos, preconceito e violência que, revelados na intimidade da insossa população, põem à prova suas inabaláveis convicções e toda a sistemática do julgamento popular (procedimento do Grand Jury). A certo ponto do filme, o pai da vítima grita ao advogado: “ – Eu sinto muito que você tenha que defender esse negro que estuprou Mayella. Eu não sei porque não o matei eu mesmo, ao invés de procurar o sheriff. Teria poupado a você, ao sheriff e aos contribuintes muitos problemas…”

                   Momento especial do filme é a cena em que o advogado, prevendo a hipótese de linchamento, protege o acusado solitariamente, fazendo guarda à porta da cadeia.

                   O melhor do filme é ter a oportunidade de acompanhar de perto conflitos e problemas que integram a rotina do advogado criminal e que ultrapassam, em muito, o âmbito profissional. A advocacia criminal é descrita como tarefa árdua e ingrata, que se diferencia das demais profissões que rondam o direito. É especialidade que exige do profissional enorme esforço e tenacidade porque enfrenta, na defesa daqueles socialmente rejeitados e acusados, preconceitos e discriminação. Daí ser um conforto para todo criminalista ver crescer, nos filhos do advogado Atticus, orgulho e respeito pela profissão do pai, como se vê no seguinte diálogo travado entre o advogado e sua filha de seis anos:

                    Atticus: “ – Estou apenas defendendo um negro. Andam falando que eu não deveria defender este homem”.

                   Scout: “ – Se não deveria defendê-lo, então por que o defende?”

                   Atticus: “ – Por várias razões: Eu não andaria de cabeça erguida e não poderia dizer a vocês o que fazer ou não fazer”.

                   Do título original vem a advertência de que nem mesmo os “mockingbirds” (pássaros inofensivos que apenas cantam lindas melodias) estão a salvo da perseguição desmotivada.

                   “O sol é para todos” inspira coragem e reforça a auto-estima daqueles que escolheram a advocacia criminal como profissão.

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