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Legalmente Loira

Legalmente Loira
(Legally Blonde – 2001)

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(Geórgia Bajer Fernandes de Freitas Porfírio)

Há pouco tempo calças compridas eram proibidas em Tribunais e salas de audiência. Permitia-se, porém, certo desvio na sobriedade do traje feminino. Saias extremamente curtas e sandalinhas de dedo alegravam o dia-a-dia no judiciário brasileiro.

A proibição sucumbiu aos tempos modernos. Saias e meias foram abandonadas na carreira jurídica. O visual está mais eclético, admitindo-se variação conforme personalidade de cada qual.

Vê-se, no entrar e sair das repartições judiciárias, tamancos altíssimos, unhas bem feitas, coloridíssimas, cabelos ultratratados, esticados, quase sempre alourados e corpos delineados em Academias, moldados e enaltecidos pelo versátil tecido sintético.

Já não causa espanto o cumprimento de atos processuais em papéis coloridos, cheirosos, com assinatura em rosa ou lilás, para espantar os maus fluidos. Salas de audiência são pintadas em cor pastel, para apaziguar os ânimos e incitar à conciliação.

Na Universidade, apresentam-se trabalhos manuscritos em folhinhas decoradas, com menininhas, ursinhos e muitos, muitos coraçõezinhos. Tudo muito singelo.

“Legalmente loira” não chega a chocar o mundo jurídico brasileiro. Pelo menos, ao olhar superficial, a estética proposta não assusta.

Reese Witherpoon faz o papel de Elle, uma garota fútil, rica, loira, californiana que entra na vida jurídica por acaso, para recuperar seu namorado, estudante de direito na Harward Law School.

A menina não é levada a sério no seu especial modo de ser, mas acaba encontrando uma mágica para se dar bem no meio acadêmico. A fórmula surpreende. Não é o popular jeitinho ou a divulgada intuição feminina: é o estudo. Livros e mais livros são lidos com afinco, no secador de cabelo, na manicure, na esteira elétrica.

A loira ignora os conselhos do pai:

“ – Querida, você não precisa da Faculdade de Direito. A Faculdade de Direito é para pessoas chatas, feias e sérias. E você, botãozinho, não é nenhuma dessas coisas”.

E prova que a primeira impressão se desmancha ao olhar mais atento. Nenhuma vocação para dondoca é inabalável. Que se desconfie de tanta ingenuidade!

O filme é curto e divertido. Apresenta estereótipos dos estudantes de direito: a menina clássica, adequada, sempre a postos com seu colar de pérolas; aquele de família renomada, sem dom algum para o pensamento abstrato; o aluno inteligente, mas chato e boçal e a estudante despretensiosa, aparentemente sem o perfil, mas com toda a aptidão e desprendimento necessários ao sucesso profissional.

Ri-se um bocado.

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