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Aposentadoria Compulsória

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Aposentadoria Compulsória
(Ou septuagenários  de bicicleta)

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                 O    Senado Federal  examina hoje, terça-feira,   proposta de alteração constitucional de autoria do Senador Pedro Simon, prorrogando para setenta e cinco anos a idade prevista  para  aposentadoria compulsória. Sabe-se que o limite, hoje, é de setenta anos.  A pretensão do combativo senador    se fundamenta, entre outros argumentos, no aprimoramento da saúde do   brasileiro. Antigamente, aos sessenta e cinco anos, o homem e a mulher brasileiros eram tidos como velhos. Hoje não. Há  nacionais de ambos os sexos fortes, bem nutridos, atuantes nas várias áreas  de atividade. No exterior,  um septuagenário é visto ainda com capacidade plena de contribuição à  coletividade. Não me esqueço de meu ídolo de juventude,  Connery, vulgo James Bond. Ainda seduz as donzelas nos filmes e, segundo as más línguas,  fora deles. Chaplin fez, aos oitenta anos,  descendente bonito e saudável. Aliás, descobri um dia, ao atualizar livro meu sobre abortamento, que espermatozóide não envelhece.  Sempre cumpre sua milagrosa missão. Obriga-se o Ministro, o Desembargador, aqui,  a deixar a Jurisdição, sabendo-se, entretanto, que um Juiz  é como um bom vinho. A experiência lhe decanta o sabor. Torna-se, maioria das vezes, um sábio cidadão. O limite de idade o obriga a retornar   à  advocacia. Isso não é bom. Em primeiro lugar, leva o aposentado a  retornar aos tribunais, já então como pretendente, constrangendo-se-o e aos antigos companheiros. Em segundo plano,  despe-se  da toga contra a vontade,  sentindo-se, embora, em plena capacidade de exercer a jurisdição. Se a proibição valesse  genericamente,  grandes cirurgiões brasileiros  estariam impedidos de operar. Cientistas das mais diversas áreas  se enrolariam nos cobertores e vestiriam chinelos, privando os moços de excelentes contribuições. Raciocino, igualmente, com as mulheres,  para não me sentir  discriminador.  Golda Meir era bem antiga enquanto liderava Israel;  Madame Curie, com câncer e tudo, mexia seus cadinhos mefíticos buscando a salvação da humanidade;  Zelia Gatai está aí, e começou tarde; Hilda Hilst, embora tentando destruir-se durante anos, revive, esplendorosa, candidata certa a  ser reconhecida   a  maior escritora  pátria de todos    os tempos. O futuro dirá. Respeitadas   mulheres pontificam no bailado clássico. Não nos esqueçamos da Tomie, com suas telas maravilhosas. Faltam muitas. Eis aí. Por todas essas razões, vale a   tentativa do Senador Pedro Simon.  Um belo parlamentar,  por sinal. Tenho seus discursos, postos com os de Carlos Lacerda, Padre Godinho e outros muitos. Vamos lá, caros Senadores. Muitos de nós estamos chegando  ou passando dos  setenta, mas   ainda andamos de  bicicleta. Valem  a saúde, a experiência e a ensinança…   

* Advogado criminalista em São Paulo e presidente, no Conselho Federal da OAB, da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas do Advogado.

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