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Ainda a OAB e a CPI da Corrupção

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Ainda a OAB e a CPI da Corrupção

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                    Maus tempos estes. Os jornais de 11 de maio noticiam que a CPI da Corrupção foi inumada pelo esforço do presidente Fernando I e Único, rei do Brasil, auxiliado por farta distribuição de verbas e pelo babalaô-mor Antonio Carlos Magalhães. Segundo a imprensa, o esforço deste último está a buscar o prêmio representado pela não-cassação. No meio tempo, dois líderes da OAB, um deles presidente (Rubens Approbato Machado), outro um ex-presidente (José Roberto Battochio), seguraram a bandeira brasileira pelas pontas, juntamente com parlamentares diversos, apoiando a Comissão. Aconteceu coisa feia: de um lado, as verbas e as ameaças; de outro lado o apoio dos quase enforcados levaram ao poço o projeto de investigação geral. Tudo na vida tem preço: nascimento dói na criança e no útero materno; a morte – a própria morte – é dolorida. O ser humano carrega consigo a fatalidade da gratificação e do castigo. Nelson Rodrigues escreveu, alhures, uma advertência: “- Toda nudez será castigada”. Depois disso, Fernando I e Único, rei do Brasil, ficou nu. Expôs-se. Qual o demérito de permitir, atento mas equânime, o esprairamento da apuração? É antevéspera das eleições, certamente, mas nem mesmo Caio Julio Cesar, em Roma, conseguiu impedir o caudal de reclamações, no Senado, quanto à forma com que governava seu império. Melhor faria se cooperasse. Encontrou um “Brutus” à frente. A história é curiosa: o exame atento, seja das comunidades tribais, seja dos sofisticados sistemas de governo, permite dizer que há o tempo da construção do poder, da manutenção do mesmo e da decadência. O mundo é assim. Pragmaticamente, é assim. A hora de Fernando I e Único já foi. Bom é dizer que o rei, no caso, auxilia a partida mais rápida. Não se diga que a CPI se comportaria regularmente, após instalada. Há, no Senado, enraivecidos membros babando de ódio. Extrapolariam os limites da perquirição, se e quando não vigiados. Mas até isso faz parte do processo democrático: a fiscalização do corrupto, do coonestador da omissão e, no campo oposto, a censura sobre o cão de caça babugento.
               O esmerilhamento da CPI tem seu preço. Os beneficiados pelo Governo estão a recolher suas verbas. Bom uso façam das mesmas. Quanto a ACM, já o disse, deve livrar-se com uns 120 dias de guancho. Sobra para o presidente. Dizem os astros, e vejo na bola de cristal, que não elege sucessor. Restarão algumas alternativas: Lula, o sempieterno candidato. Ou Ciro, aquele da Patrícia (moça simpática, diga-se de passagem). Ou ainda o Serra, dos genéricos que não consigo comprar em lugar algum, com suas olheiras preocupantes. Não me esqueço de Malan, naquele jeitão de galã dos tempos do Ronald Reagan. Falta algum? Ou falta alguém? Quem pode faltar? Quem pode? Quem pode? De repente, coisa que duvido, o senador Suplicy levanta o dedo, como eu fazia nos tempos em que pensava mais devagar, e resolve disputar. É vagaroso, sem dúvida, mas ninguém, mesmo intrometendo-se em sua vida particular, conseguiu encontrar, nele, uma nódua qualquer de desonestidade. Pode parecer o ingênuo de Voltarie, mas safado com certeza não. Se conseguir vencer o suspicaz Luiz Inácio, voto nele. Vagaroso, devagar, reflexivo, contemplativo, mas voto. Nas circunstâncias, penso, não resta ninguém.

* O autor é advogado criminalista em São Paulo e presidente, no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas do Advogado.

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