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O promotor improvisado

Roberto Delmanto

O júri se aproximava. Era necessário preparar o cliente para o interrogatório a que seria submetido no julgamento.

A acusação de ter matado o próprio irmão, ele sempre negara: a arma teria disparado quando a desmuniciava.

Não havia, por outro lado, afora algumas desavenças familiares normais, motivo relevante para o fratricídio.

Eu estava convencido da sua inocência, mas meu filho e sócio de escritório Fabio tinha sérias dúvidas a respeito, preferindo até não participar do júri.

Por isso mesmo, insisti na sua presença na reunião que antecederia o julgamento.

Fabio, com seus 1,95 de altura, entrou seríssimo na sala onde o cliente já se encontrava. Durante mais de duas horas, de forma incisiva e dura, disparou todas as perguntas possíveis e fez todos os questionamentos imagináveis.

Na saída, o cliente, assustado, me disse: “Doutor, eu sou inocente. Mas não pensei que a minha situação fosse tão difícil. Acho que não vou escapar de uma condenação”.

Para consolá-lo, argumentei que, nessas reuniões preparatórias do júri, um dos advogados, no caso dele o Fabio, improvisava o papel do M. Público.

Ao voltar ao escritório dias depois, para nova reunião, o cliente, mais animado, me confidenciou ao chegar: “Pensando bem, acho que foi muito bom o Promotor improvisado…

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