Home » Ponto Final » Sobre a Origem da Palavra “Clã”

Sobre a Origem da Palavra “Clã”

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Sobre a Origem da Palavra “Clã”
(Ou “Sexta Edição do Código Penal Comentado”)

_______________________________________________________________________________________

               O novo dicionário “Aurélio”consagra, ao lado do verbete “clã”, a seguinte definição: “ – Do gaélico clann. Nas sociedades teutônica e escocesa, designação original de tribo constituída de famílias de ascendência comum. Unidade social formada por indivíduos ligados a um ancestral comum por laços de descendência demonstráveis”. Pode-se atribuir tal significado, sem risco de erro, à família Delmanto. Aqui em São Paulo, na verdade, o primeiro advogado com o sobrenome citado foi um dos maiores criminalistas que o Brasil teve: Dante Delmanto, com cinqüenta seguros anos de advocacia especializada, dentro e fora do Tribunal Popular. Tive o privilégio de lhe prefaciar um livro, “Defesas que Fiz no Júri”. Seu filho Celso me instou a tanto. Sentia-me pequeno diante da tarefa. Assim, resolvi a incumbência convidando, para subscrição conjunta, uma dezena dentre diferenciados criminalistas brasileiros. Ficou mais fácil a apresentação daquela obra importante, retrato certo do período clássico do Tribunal do Júri brasileiro. Depois de Dante Delmanto veio Celso, o filho mais velho, sempre ao lado do pai, companheiro dedicado colaborando discretamente na manutenção e eficácia quase lendária das defesas que o escritório patrocinava. Ali bem perto, Roberto Delmanto se preparava para a maturidade, completando o trio diferenciado. O velho Dante Delmanto se foi. Celso, com uma letrinha miúda cujo padrão tenho comigo em vários escritos, já planejava a primeira edição do “Código Penal – Edição Profissional”, lançada em 1980. Em 1988, Roberto Delmanto atualizava e ampliava a terceira edição. No meio tempo, haviam sido editadas outras três edições do “Código Penal Anotado”, tudo sob contínuo aperfeiçoamento. Celso, dotado de precioso poder de síntese, conseguia  definir, explicar e analisar, com vista ao Código Penal, particularidades e sofisticados problemas de doutrina, encaixando-os na jurisprudência contemporânea. Celso Delmanto morreu enquanto alcançava a plenitude da produção intelectual. Mantinha intensa advocacia criminal, preservando, entretanto, uma singeleza excepcional nos costumes e na forma com que tratava os encargos profissionais. Daí o irmão mais moço, Roberto, lhe preencheu o lugar, sendo um deles o natural herdeiro do outro, redimensionando o tesouro da herança cultural. Chegaram ao mundo jurídico, assim, outras edições do “Código Penal”, observando-se religiosamente a tradição familiar.

              

Afago, agora, a denominada 6.ª Edição do “Código Penal Comentado”. Traz, na primeira capa, o nome Celso Delmanto. Em seqüência, vem Roberto Delmanto. Adiante, aparece Roberto Delmanto Júnior, já mestre em Direito Penal pela Universidade de São Paulo e agora completando doutoramento. Fechando os autores, aparece Fábio M. de Almeida Delmanto, pós-graduando em Direito Penal. É um clã voltado à manutenção e desenvolvimento da longínqua primeira edição. O mérito maior do livro, entre muitos outros, é o da síntese, arredondando em poucos parágrafos, sem perda da prospecção clássica, os comentários referentes às partes geral e especial do Código Penal, sem perda de atenção para leis extravagantes e legislação posterior. O “Código Penal Comentado”, de Celso, Roberto, Roberto Filho e Fabio Delmanto é, sem dúvida, o melhor estudo, no Brasil, sobre a legislação criminal em vigor. Há outros excelentes autores, é certo, permitindo o conjunto uma visão segura dos problemas gerados pelas dissenções havidas na hermenêutica. Na preferência deste advogado, entretanto, se incluem a facilidade do manuseio e a rápida identificação do texto esclarecedor. Boas-vindas, portanto, à sexta edição.           

* Advogado criminalista em São Paulo há quarenta e dois anos e presidente, no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas do Advogado.

Deixe um comentário, se quiser.

E