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Vêm aí as eleições à OAB-SP

Paulo Sérgio Leite Fernandes

         Há nove anos, Luiz Flávio Borges D’Urso se candidatou pela primeira vez à presidência da Secção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (Secção, e não Seção. É como “pharmácia”). Deu entrevista a este site. Rosana Chiavassa também era candidata (clique aqui para assistir às entrevistas). Luiz Flávio era moçoilo. Estava magro e tinha jeito de rapazola a caminho de amadurecimento. Rosana, moça bonita, não se afastava muito do que é hoje. Basta fazer a comparação. Havia outros candidatos. Se a memória não falha, Walter Uzzo também queria o posto. Cada qual procurou dizer a que vinha. Luiz Flávio Borges D’Urso foi eleito e, depois, os advogados de São Paulo o escolheram duplamente. O contingente eleitoral aumentou muito. Responsáveis por isso foram os sucessivos ministros da educação que passaram por ali, uns cooperando abertamente no apodrecimento do setor, outros fingindo não verem o que estava a acontecer. O último, Fernando Haddad, deixa o Ministério depois de apor assinatura em outras duzentas e cinquenta e poucas faculdades de direito. Que coisa imoral!

         Luiz Flávio, com certeza, preparou sucessor, constando que o atual vice-presidente, Marcos da Costa, é candidato. Conheço-o há muito tempo. É advogado seriíssimo e exerce liderança discreta em São Paulo. Mas tem condições muito boas para o exercício do cargo. Rosana Chiavassa exibe ascendência italiana. É profissional respeitada e voluntariosa. Não se cuida de defeito, porque a arte política não se coaduna com timidez. Teve boa votação na primeira experiência. Exerceu cargo de Conselheira Federal da OAB, em Brasília. Não decepcionou. Parece que Alberto Zacharias Torón, criminalista muito conhecido, também se dispõe a disputar. Representando São Paulo, chegou a ser Secretário-Geral Adjunto do Conselho Federal da Ordem. Defendeu denodadamente as prerrogativas da classe. Tem livro a respeito. Afirma-se que Roberto Podval, outro advogado criminal paulista, é pretendente à presidência. Na expressão de Chico Buarque de Holanda, uns dos maiores filósofos brasileiros vivos embora compositor de música popular, precisa “mostrar as marcas que guardou nas lutas contra o rei, nas discussões com Deus”. Em outros termos, a atividade política dentro da OAB, como qualquer outra, implica, sobretudo, em tradição. É requisito importante. Fala-se em Ricardo Hasson Sayeg. Advogado empresarial, agasalha a teoria do “Capitalismo Humanista”. Pode desenvolvê-la na campanha. Sônia Mascaro Nascimento, advogando na justiça do trabalho, também quer.

         O havaiano Barack Obama usou a internet na disputa norte-americana. Deu-se bem. Aqui, analogamente, as coisas vão ferver no “Facebook”, “Twitter” e “Youtube”. Há cerca de trezentos mil advogados com capacidade eleitoral, cada um provido de seu email particular. De outra parte, a OAB, por força do pressuposto da igualdade, precisará ceder aos pretendentes seu cadastro geral, isto significando preciosíssimo arcabouço publicitário, mais tarde, no recolhimento dos restos da eleição. Há em tudo, já se percebe, uma relação de causalidade infinita.

         Assisti a um filme, outro dia, sobre a aviação de caça nos idos de 1914/1917. Os aviões mal haviam surgido. Havia uma esquadrilha de pilotos franceses, a “Esquadrilha Lafayette”. Um deles ostentava, no corpo entelado do avião, um logotipo. Dentro de um círculo negro havia uma águia, ou condor, ou mesmo um abutre desenhado. Uma frase só em relevo aparecia, em francês: “je vois tout”. Não é preciso traduzir, mas vá lá: “Eu vejo tudo”. Estamos aí.

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