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O Supremo Tribunal Federal decide: quem não tem cérebro não é gente

Paulo Sérgio Leite Fernandes

O país inteiro acompanhou a disputa, no Supremo Tribunal Federal, sobre questão tormentosa, a saber se é ou não possível provocar o abortamento de feto anencéfalo. Os pais, antes, foram ao dicionário e escolheram nome para o nascituro. Chamaram-no Esaú. Em termos simples, quem não tem cérebro não é gente. Logo, num silogismo quase perfeito, Esaú é um feto. Gente tem cérebro. Esaú não tem cérebro, logo Esaú não é gente. Por consequência, mate-se Esaú. Houve feminista aplaudindo com extrema alegria. O raciocínio, dentro do contexto, deve valer, igualmente, para quem sofra acidente vascular cerebral grave, queimando todos os neurônios e por decorrência prejudicando os caminhos das sinapses. Em seguida: Esaú sofreu acidente vascular seriíssimo. Queimou todos os neurônios. Perdeu todas as funções cerebrais. Logo, Esaú não é gente. Em decorrência, mate-se Esaú.

2 Comentários sobre “O Supremo Tribunal Federal decide: quem não tem cérebro não é gente”

  1. Luzia Helena disse:

    Assim como Esaú, podemos ter outro exemplo: um casal adota um bebê aparentemente perfeito. Dão-lhe o nome de José Luiz. Alguns meses depois, o casal percebe que José Luiz não responde aos estímulos, não ri, não interage. O médico constata que José Luiz é cego e surdo, portanto, não pode se comunicar. Tem cérebro, mas é como se não tivesse. Hoje tem 18 anos, vive acamado. Ele é gente, mas poder-se-ia considerá-lo um vegetal ou nada? O casal cuida dele com muito amor, porque o considera GENTE. O feto anencéfalo pode não sobreviver após o nascimento, no entanto, os outros órgãos perfeitos do pequeno ser podem ajudar a salvar a vida de outros. Se a mãe entender isso, não correndo risco sua vida pela gestação, pode gerar o bebê e ajudar outros bebês que sobreviveriam com um transplante de um órgão doado pelo bebê anencéfalo. Nesse caso, entendo que a sociedade deve amparar a mãe para que tenha bom atendimento médico.

  2. PSLF disse:

    Comentário para o vídeo postado no youtube por monicadib:

    Enfim, um jurista que já está prevendo as consequências dessa liberação.Além de uma futura liberação do aborto eugênico, a eutanásia, ortotanásia e por aí vai.E tudo se resume ao encéfalo.Vale lembrar que o termo “anencéfalo” é inadequado, uma vez que o feto, nesse caso, é desprovido de encéfalo ou da maior parte dele, porém possuidor de ponte, bulbo, medula, e em alguns casos parte do encéfalo.Vide o caso Marcela, uma anencéfala que já tem um ano e oito meses de idade.

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