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Falta de médicos e remédios mata gente no RN

 

 

Paulo Sérgio Leite Fernandes

         Surge nos jornais hoje, 18 de julho de 2012, notícia de que morre gente em hospitais do Rio Grande do Norte, por falta de médicos e remédios. O Brasil é país enorme. Não é novidade. Tive cliente dono de fazenda sobre a qual se viajava 40 minutos de avião, ou de helicóptero (mais devagar, por certo). Havia touro, lá em baixo, nunca posto em contato, nem de longe, com ser humano.

Viajei em “gaiola” 4 ou 5 dias, no tempo das aventuras (moderadas, aliás), participando, ao longe, das idas e vindas da população ribeirinha, uma espécie de lotação parando aqui e ali, gente dormindo no tombadilho, em redes, ou no chão mesmo. Aventureiro tem várias graduações. Acertei-me com o imediato, arranjei uns lençóis limpos e ele foi dormir em outro lugar, alguma coisa parecida com outra viajem que fiz, trinta anos atrás, num pesqueiro, indo até Santa Catarina, a partir do atracadouro de Santos, na ponta da praia. Pouca gente sabe que não se pode misturar sardinha e camarão nos tanques daquelas embarcações, um contagia o outro, ou o tritura. Soube dessas coisas, é claro, quando precisava decidir entre viver mais ou morrer no mar, como na canção de Caymmi: “-É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar”.

Não se fuja do assunto. O tema é o Ministério da Educação, mais seus ministros, não valendo a pena citá-los um por um, pois são muitos, embora coautores da conduta dolosa esculhambando a educação no Brasil. Paro nas minhas duas últimas escolhas, Mercadante e Haddad, não se podendo dizer que os nomeio por escolha política. É difícil gostar de político, mesmo porque, ali, a honestidade não lhes favorece a sobrevivência. Portanto, insisto em que Haddad deve explicações sobre as duzentas e sessenta faculdades de Direito que autorizou durante seu reinado. Tocante a Mercadante, precisa dizer porque meteu a caneta autorizando, simultaneamente, duas faculdades de medicina em São José do Rio Preto, cidade abastada sim, valendo dizer que servirão, ambas, ao estudo dos bem-nascidos, pois a mensalidade não deve ser inferior a uns 5 mil reais/mês. Enquanto isso, sucede naquele município excelso, morre gente lá em cima, por falta de médicos, remédios e hospitais, pois é raro moço sujar a bata imaculada na lama do Norte e Nordeste, preferindo ficar por aqui, disputando lugar em nosocômios tradicionais. Você fez isso, Mercadante. Explique-se. Que Haddad haja conspurcado um pouco mais a advocacia, permitindo faculdades em qualquer quebrada das esquinas, ainda se entende, pois é barato e os candidatos podem ser caçados na rua, como se enlaça bicho na carrocinha. Medicina não. Há coisa errada nisso. Fossem essas autorizações concretizadas nos rincões, permitindo que o moço sem dinheiro pudesse alcançar o objetivo de seus sonhos, tratando e curando, se possível os rebentos postos nos cantos das palafitas, no meio dos mosquitos da Dengue, vá lá. Porra, Mercadante! Que doideira você fez. A presidente sabe disso? Você vai comparecer à inauguração dos novos institutos de ciências médicas, abraçando aquela meninada que precisa, hoje, cursar dois ou três anos de cursinho para entender um pouco de química, tudo mantido pelo papai? Qual é a sua, Mercadante? Esclareça, ou não esclareça coisa alguma, porque o povo não está interessado nisso. O interesse é de quem está morrendo naqueles pedaços esquecidos do país. Só. Aqui do meu lado, ponho você e o Haddad juntos, um abraçado ao outro. Alguém lê essas coisas que escrevo. Vale a pena. Finjam que não veem. Hoje em dia, toda autoridade tem assessores. Sempre avisam o chefe, no eterno conflito do bem-me-quer, mal-me-quer. Eis a questão.

 

 

 

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