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Mr. Jones fica orfão

Mr. Jones fica orfão

A vida de Mr. Jones estava boa demais. Depois da idéia de transformar os “ campi” das faculdades de direito em pastos, a economia doméstica melhorava muito. Os touros engordavam da noite para o dia. Verdade é que haviam aconselhado Jones a administrar hormônios nos bichos, atrás das orelhas, prática severamente proibida penalmente. Jones recusara por duas razões . A primeira: os bois, literalmente, viravam “gays”. Ficavam rebolando os olhos e balançando os quartos, em demonstração nada entusiasmante. Depois, os touros seriam exportados para o nordeste e nordestino, definitivamente, não confiava em boi de açougue. Achava que os hormônios postos na carne bovina seriam absorvidos pelos humanos, gerando mutações perigosas. Talvez tivessem razão….

Manhã bonita, aquela. As aventuras de Mr. Jones estavam sendo contadas num jornal de Jurubeba (Jornal do Advogado). Era engraçado, mas gostoso também, principalmente a última, referente à inovação salvadora de transformar “campi” em pastos. Jones, assobiando o hino nacional inglês, foi à caixa do correio. Havia um envelope oficial de mau agouro. Abriu a sobrecarta. Comunicavam-lhe secamente que suas aventuras não seriam mais contadas naquele jornal. Haveria uma tal de “terceirização”, entregando-se o órgão a um “trust” externo. O inglês tremeu nas bases. Não poderia mais fazer suas campanhas de criação de faculdades de direito nem competir com as universidades particulares que estendiam seus tentáculos sobre vestibulandos incautos; seria proibido de criticar os exploradores do Conselho Nacional de Educação; perderia, enfim, sua tribuna, precisando aposentar seu monóculo, bengala e cartola. A primeira suspeita de Jones : foi um golpe aplicado pelos donos de faculdades de direito concorrentes. Repeliu o pensamento. Um inglês extravagante não conseguiria destruir um cartel assim. A seguir, outra suspeita: havia, no jornal, um “ anglófobo ” (alguém com preconceito racial contra ingleses). Mas quem? Um alemão ( Herr Fritz) ? Ou francês (Monsieur La Payllote) ? Oh, my God, quem quererr barrarr Mr. Jones in the Lawyer’s Journal ? Jones perderr espaço parra publicitário profissional ? Ou teria sido, mesmo, uma determinação política antagônica às aventuras do estranho saxão? Uma associação globalizante, americanófila talvez?

Lá se foi a tribuna de Mr. Jones. Ficou órfão de pai e mãe. Ou acha outro jornal que lhe conte as aventuras, ou fica amordaçado num canto de parede. É pena, pois o melhor estava ainda por acontecer. Mr. Jones havia visitado o Conselho Nacional de Educação. Tinha coisas novas para contar. Quem quer adotar o inglês fanfarrão?

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