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Mr. Jones fica orfão 2

Mr. Jones fica orfão 2

Mr. Jones, alegre, preparava uma outra história sobre suas aventuras em Jurubeba. De repente, recebeu uma correspondência oficial de quem mantinha o jornal que publicava suas idas e vindas. O símbolo do envelope lhe deu calafrios. Pôs o monóculo. Suas apreensões se confirmavam. Perdera a comunicação com os jurubebenses. Dali para a frente, órfão de pai e mãe, não poderia mais levar suas críticas e irresignações à rua. Aquilo era ruim. Jones tinha implicância seríssima com o Ministério da Educação de Jurubeba e com o respectivo Conselho, certo de que aqueles dois órgãos seriam responsáveis pela multiplicação de faculdades de direito em Jurubeba. Muita gente, com certeza, aplaudiria a mordaça posta em Jones. Finalmente livres de críticas e peias, os donos das fábricas de advogados já se dispunham a fazer um gigantesco churrasco de confraternização nos “campi” mantidos pelas universidades. Mas não era só: aquilo acvontecia exatamente no momento em que Mr. Jones se dispunha a explicar o mecanismo de aprovação dos cursos superiores no Conselho Nacional de Educação. Fernando I e Úníco, Rei do Brasil, também ficava satisfeito com o silêncio imposto ao saxão extravagante. E José Gregori, igualmente, dava um “ ufa” de alívio. Mas ninguém contava com a teimosia de Jones. Aprendeu a trabalhar na Internet e pediu emprestada uma página de um amigo: www.processocriminalpslf.com.br. Assim, quem quisesse ouvir as novidades de Jurubeba poderia conversar com o saxão. Jones ouvira dizer que apenas doze mil advogados, em Jurubeba, trabalhavam com a Internet. Para quem tinha suas aventuras contadas em jornal com cento e cinqüenta mil exemplares, a redução era cruel. Pouco importava. Começar de novo…valia a pena. O inglês continuaria sua tarefa. Era deixar a bengala de lado, tirar a cartola, pôr o monóculo e partir pra guerra. Era importante a possibilidade de comunicação. Por exemplo: o amigo de Jones lhe mostrara uma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal extremamente preocupante. Os ministros afirmavam que advogados que recebessem pela assistência judiciária mantida em convênio com a Procuradoria do Estado praticariam corrupção (ou concussão) se cobrassem honorários dos clientes. Nessa hipótese, os advogados se equiparariam a funcionários públicos. Coisa ruim essa, a exigir especial cautela dos profissionais do interior. O acórdão tinha a seguinte ementa:“Recurso ordinário. Corrupção passiva. Falsidade ideológica. Equiparação a servidor público. Benefício do artigo 514 do Código de Processo Penal. I- Não é outra que não a de funcionário público, para o direito penal ( Código Penal, artigo 327), a condição do advogado que atua, por força de convênio celebrado com o Poder Púiblico, para o exercício remunerado da função pública de assistência judiciária ao necessitado (Constituição da República,artigos 5., inciso LXXIV e 134) – transcrição parcial.

Já se vê como é importante manter-se Jones em contato com o povo. Haverá alternativas, é claro, não tão eficazes quanto um jornal, mas Jones chegará lá.

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