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A classe média vai ao paraíso

Roberto Delmanto*

Nos últimos anos houve uma ascensão das classes menos favorecidas: da classe E para a D, da D para a C e da C para a B. O bolsa- família, ironizado por muitos, é elogiado pela ONU e adotado por vários países em desenvolvimento. Sua importância tornou-se ainda mais evidente quando, recentemente, em virtude de boatos sobre sua extinção houve grande correria às agências da Caixa Econômica Federal em todo o país.

Em consequência, surgiu uma nova classe média que, além de poder adquirir mais bens de consumo e, muitos, a primeira casa, também chegou às universidades através de bolsas de estudo e cotas sociais. Mais instruída, passou a exigir mais…

Por outro lado, enquanto os pobres ficavam menos pobres, e os ricos continuavam ricos – com a riqueza por vezes apenas mudando de mãos –, a antiga classe média restou “achatada”: não só não ascendeu socialmente, mas piorou de vida, que para ela se tornou mais cara, inclusive com os filhos tendo de deixar as escolas particulares e ir para as públicas…

Nesse panorama, fica mais fácil entender porque as manifestações que abalaram o país não foram de operários, mas sim da antiga e da nova classe média, nas quais se infiltraram anarquistas, extremistas de direita e de esquerda, e delinquentes.

Ainda é cedo para saber os benefícios ou malefícios que esses protestos trarão. Houve, sem dúvida, um desacomodamento dos poderes constituídos, mas não sabemos se, de fato, haverá mudanças que aperfeiçoem nossa democracia. Ou se, como disse o príncipe de “O Leopardo” a seu sobrinho, é preciso mudar alguma coisa, para que tudo continue como está…

Uma nova Constituinte foi descartada, mesmo porque nossa Constituição, modelo de garantia dos direitos individuais, tem somente 25 anos, podendo e devendo ser aperfeiçoada por emendas constitucionais.

Mas só um plesbicito, acertadamente adiado para o ano que vem, pois é necessário tempo para a escolha, o debate e o esclarecimento dos temas a serem votados, poderá apontar quais reformas representam, realmente, a aspiração da maioria dos brasileiros.

Por enquanto, parodiando o famoso filme de Elio Petri, podemos dizer que agora, em vez da classe operária, nos protestos “a classe média vai ao paraíso”…

* Artigo extraído do site “Migalhas”.

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