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As sandálias da pescadora? (Ou “Dilma passeia de motocicleta”)

Paulo Sérgio Leite Fernandes

Recente visita do Papa ao Brasil relembra filme antigo estrelado por Anthony Quinn (“As Sandálias do Pescador”). A associação de ideias, por sua vez, chama a atenção para acidente jocoso sucedido com a presidente da República. Indiscrição de um auxiliar categorizado (dolosa ou não) levou à imprensa notícia de que a primeira mandatária, aproveitando o fato de haver entre seus colaboradores entusiástico possuidor de uma motocicleta Harley Davidson, montou na garupa e foram passear por Brasília, crentes no anonimato mas seguidos, segundo consta, por seguranças do Palácio. No fim das contas, uma espécie de “caravana santa”. Evidentemente, a presidente usava capacete, garantindo em tese a tranquilidade do tráfego do Distrito Federal.

A moça tem direito a essas coisas. São, diga-se de passagem, bem diferentes das peraltices de um John Fitzgerald Kennedy ou de outros dignatários passantes por diversos países, sem exceção de delinquentes. Lê-se no jornal “O Estado de São Paulo”, de dois ou três dias atrás, um artigo grande de Vargas Llosa, comentando extravagâncias do outrora rei da cocaína (Pablo Escobar). Dizia-se que lhe levavam virgens para repasto, assassinadas em seguida para não deixarem marcas da passagem. Em “As Sandálias do Pescador”, o Papa passeia disfarçado pelas ruelas de Roma, a saber como o povo se comportava. Tocante à moça Dilma, já eleita uma das 100 mulheres mais influentes do Universo, bem fez a primeira dama, guardadas as precauções adequadas, é claro, pois motocicletas são muito perigosas, não se podendo acreditar que os motoristas de Brasília tenham especiais cuidados quanto a um motoqueiro a mais.

Indagado sobre o passeio extravagante, o cerimonial, ou departamento responsável, informou que Dilma não estava guiando, não sabe dirigir moto e não tem carta, justificando-se portanto o caráter acessório do piquenique.

Pensando bem, gosto dela. O fato de Dilma me ser simpática não modifica nada. Na verdade, sou um dos quase duzentos milhões de brasileiros, embora saiba ler e escrever, circunstância a me tornar um pouco mais agressivo, quando quero. Aliás, em “Scaramouche, o Fazedor de Reis”, há passagem descrevendo duelo entre o Marquês de la Tour D’Azir e um padre-poeta. O nobre é o melhor espadachim de França. O clérigo mal sabe manejar o florete. La Tour D’Azir o mata rapidamente, dizendo: “– A pena de um letrado é muito mais perigosa que o fio da minha espada”. Eis aí!

Vi umas fotos de quando a presidente era garotona, após torturas ou enquanto fichada ao tempo da ditadura. Tinha um jeitão teimoso, obstinado e corajoso que via de vez em quando nas minhas filhas enquanto jovens. Um incidente encantador, mulher sexagenária aboletar-se no assento traseiro de motocicleta potente, rugindo pela avenida principal e fora da faixa privativa da presidência… Vrrruuummmmm… Vrrruuummmmm…

Na próxima vez, siga mais enxuta. Estamos no tempo das academias, pilates, ioga e quejandos. Ou fique como está. Vai bem assim. Vrrruuummmmm… Vrrruuummmmm… Vrrruuummmmm… Os dragões da independência hão de deixá-la passar. Além disso, há sempre a porta dos fundos. Vrrruuummmmm… Vrrruuummmmm… Vrrruuummmmm… pra frente, Brasil!

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