Home » Ponto Final » Um Feliz Natal do Ministério da Educação

Um Feliz Natal do Ministério da Educação

* Paulo Sérgio Leite Fernandes
Um Feliz Natal do Ministério da Educação
(Ou Presença feminina no MEC)
 

________________________________________________________________________________________

               Dia desses, por via indireta, soube que o Ministro da Educação baixara portaria autorizando aumento de vagas em Faculdades de Direito sem necessidade de prévia autorização. Trata-se da Portaria 2.402, de 09 de novembro de 2001. Imediatamente reincidi na crítica, agora rotineira e até cansativa, à irresponsabilidade das autoridades responsáveis pelo Ministério da Educação. Comentei agressivamente a imprudência do Ministro Paulo Renato. Desta vez, enganei-me. Já sei a razão. Estende-se àquele Ministério, embora com menor equilíbrio estético, a determinação feminina de competir com os homens em igualdade de condições. O exemplo é simples: bastou o Ministro da Educação sair uns dias para que a interina, titular da Secretaria de Ensino Superior, aproveitasse a brecha e autorizasse as faculdades, universalmente, ao aumento de vagas na proporção de cinqüenta por cento. É presente de natal. Quero um desses para a minha faculdade de fundo de quintal. Não se preocupem. Alugo o terreno do vizinho e aumento o “campus”. Moça, você não tem juízo mesmo. Não sei qual a razão de ter feito isso numa época em que todos os juristas sérios desta nação lhes pedem prudência. Explique a razão dessa portaria imoral, ministra interina. De três uma: ou lhe falta inteligência, ou lhe falta capacidade de captar a desmoralização a que vocês estão levando o ensino e o estudo das ciências jurídicas ou então você fez porque quis desafiar a censura externa. Pior do que tudo, você é mulher. É das mulheres a prerrogativa da colocação de ordem na casa, limpando a sujeira (ou mandando limpá-la, nas casas ricas). Você não pegou o rodo nem as vassouras, com luvas ou sem luvas pouco importa, mas está ajudando e muito a não meritória tarefa de enegrecimento do ensino jurídico no país. Chamo você de “moça”, embora não lhe conheça a idade e méritos profissionais. Na sei, nesta altura, se Paulo Renato já voltou mas, se e quando houver retornado, você já se terá encarregado dos festejos natalinos. Digo tudo isso com veemência, ministra interina, pois vocês precisam escutar. Não sei se chego aí, mas a algum lugar hei de chegar. A propósito, vem aí o ano novo. De repente, vocês têm alguma outra idéia assemelhada. Começam o 2002 distribuindo mais farta mesa aos comensais…

* Advogado criminalista em São Paulo há quarenta e dois anos. Esta crônica é personalíssima. Retiro meus títulos.

Deixe um comentário, se quiser.

E