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O fenômeno da violência no Brasil

A violência no país, ninguém o nega, tem aumentado progressivamente. Morre gente atropelada no trânsito ou em razão de colisões de veículos. As manhãs, nas grandes metrópoles e até em pequenas cidades, abrem os dias com notícias de homens e mulheres baleados, seja em função de tiros perdidos no confronto entre mocinhos e bandidos ou mesmo de latrocínios. Atribui-se a isso um conjunto de circunstâncias ligadas a aumento demográfico, deseducação, desproporção entre as classes sociais e formação de núcleos criminógenos situados primacialmente em favelas.
Poucos se referem, no contexto, a incentivos postos na coletividade pela própria imprensa. Esta, indiscutivelmente, é partícipe nas causas de aumento de comportamentos comunitários agressivos, noticiando com estardalhaço tragédias acontecidas aqui e ali, oferecendo inclusive pormenores sobre a forma de agir dos autores. Já se afirmou repetidamente que o ser humano tem espírito imitativo, sendo sugestionável até na repetição dos dramas. Isso já aconteceu aqui em São Paulo, recentemente aliás. Entretanto, as advertências não adiantam coisa alguma, porque os episódios sanguinolentos vendem jornal e aumentam audiência em programas espetaculosos. Criminólogo inglês com livro traduzido para o português há não muito tempo acentua que uma criança chega à adolescência depois de ter visto, no mínimo, cem mil episódios de desastres ou crimes acentuadamente terríveis, isto no exterior. Aqui é possível dobrar-se o número. Aquilo se incrusta no inconsciente das criaturas, levando-as a repetir, mais tarde, o episódio visto, com as modificações de estilo, é claro, mas sempre em consequência da sugestão. Fala-se em procedimento atribuído às chamadas criaturas normais, ou seja, o hoje pai de família, o burguês enfim, ou o jovem amadurecendo para a vida em sociedade. Há, respeitando a isso, psiquiatra renomado asseverando que o cérebro humano só se desenvolve adequadamente a partir dos vinte anos. Até lá, a criatura obedece a impulsos ou influxos resultantes de menor grau de adequação.
Dentro do contexto e finalizando, assente-se que a imprensa em geral, nisto compreendidos os meios de comunicação rotineiramente implantados, tem parte muito importante no aumento da criminalidade, não no Brasil, mas no mundo inteiro. Justificar-se-ia a divulgação dos dramas diuturnos sob a alegação de terem os jornais e redes de televisão o dever de informar, incrustando-se a atividade nas liberdades democráticas. É assim e não é assim. Lamente-se tal característica constitutiva, no mínimo, em inexorável fatalidade.

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