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Ofensa a Advogados-Dia da Caçarola em Sorocaba?

        Paulo Sérgio Leite Fernandes

        Os jornais de 11 deste mês de junho divulgam que advogados da Comarca de Sorocaba estão revoltados com os métodos de revista em malas e roupas, à entrada do Fórum. Houve confusão lá, no dia 10, ou seja, ontem. Após a assunção à presidência do Desembargador Renato Nalini, houve uma espécie de começo de entendimentos no sentido de se dar a tais providências sentido que se adaptasse a recomendações expressas do Conselho Nacional de Justiça. Em síntese, a Resolução do CNJ é no sentido de que todos, mas todos mesmo, passem pelos portais eletrônicos, se houver, ou se submetam a comportamento fiscalizador análogo, não havendo meios eletrônicos de cumprimento da providência. Tal determinação não é cumprida. Isso vai complicar. Faz tempo, aqui em São Paulo, o “Dia da Caçarola” tem sido adiado, em consideração ao presidente do Tribunal. O que é a reunião assim chamada? Os advogados, ao entrarem nos Fóruns, levarão nas malas assessórios de metal, nunca pontiagudos, constando de caçarolas, copos, colheres e utensílios assemelhados, nada agressivo. Aquilo apita. Gera incidentes tragicômicos, isso todos os dias, até que as coisas se recomponham em razoabilidade. Razoável é que as determinações do Conselho Nacional de Justiça sejam obedecidas. Razoável seria que nós advogados tivéssemos assentos nos Tribunais, durante as sustentações orais. Obtivemos isso parcialmente, não no Supremo Tribunal Federal, mas chegaremos lá. É promessa.

         Na medida em que a primeira revolta aberta contra os portais eletrônicos começou aí em Sorocaba, justo será que o “Dia da Caçarola” seja inaugurado também aí. Marquem. Vou com vocês, na primeira fila, levando na pasta um bonito coador de café que foi herança da minha avó. Mando também à Presidência da Subsecção alguns broches que já mandamos fazer (doação do criminalista Ademar Gomes). Vale a pena usá-los na lapela. Estou comunicando isso ao Presidente da Seccional, Marcos da Costa. Quem sabe ele irá conosco?

         Somos oitocentos mil advogados no país. Ou mais, fora o milhão e meio de bacharéis que mil e trezentas faculdades de direito vomitam no meio das ruas, a poder de incúria no Ministério da Educação, cujos portais ninguém se anima a abrir, nem nós, da OAB. É um contingente que poderia, sim, parar o Brasil, como o fazem os metroviários, às portas da Copa, agredindo o próprio povo sim, que não tem automóvel e anda comprimido nos vagões, moças e senhoras sendo aviltadas no meio daquilo tudo. Eletricitários fazem greve, policiais encostam os fuzis atrás das portas, juízes se recusam às vezes a trabalhar, funcionários da justiça ficam em casa, pedagogos deixam as crianças analfabetas e nós, advogados, nunca largamos um cliente em apuros por negligência nas nossas atribuições. O contratante de defesa é o réu, o perseguido, o acusado enfim, bandido ou não. Precisa de defesa. Nosso combate, vestindo a frágil armadura negra representada pela beca, está antes do repúdio àquilo que fazem contra nós. Não, advogados não param o país, embora desrespeitados todos os dias enquanto exercendo a arte. Ofereceram vida e liberdade ao tempo da ditadura, mas são revistados hoje, moços e moças, como se delinquentes fossem, mesmo fazendo parte integrante da administração da justiça. Merecemos ao menos isto. É verdade caro Presidente da Subseção de Sorocaba. Vamos ao “Dia da Caçarola”, em fila indiana sim, atravessando os portais que nunca deveriam existir mas, em existindo, que todos passem por eles. Obama passa. A mulher dele passa. Seus ministros passam. Dilma deveria dar o exemplo. Que os juízes e promotores de justiça passem também. É a lei. Ou então, ninguém atravessa aquilo.

Um Comentário sobre “Ofensa a Advogados-Dia da Caçarola em Sorocaba?”

  1. Marcio de Azevedo Marques disse:

    Veja o nobre colega e exímio profissional , um decano e defensor intransigente das liberdades constitucionais. Venho pedir , encarecidamente, uma crônica à respeito do gravíssimo incidente entre O Ministro Joaquim Barbosa e o advogado defensor de Jose Genoíno Neto.

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