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Tragédias Aladas (O avião malasiano explodiu)

 

         Hoje, 18 de julho de 2014, a imprensa do mundo inteiro continua a descrever pormenores da destruição, em pleno ar, de um Boeing da Malaysia Airlines, com morte de 295 pessoas, somando 154 holandeses, 27 australianos e 23 malaios, apontando-se ainda a presença de 23 americanos, ingleses e franceses, sem exceção de 80 crianças. A aeronave partira de Amsterdã, com destino a Kuala Lumpur. O avião se encontrava a dez mil metros de altura, voando sobre área controlada por separatistas no leste da Ucrânia. Há acusações recíprocas entre a Rússia, a Ucrânia e rebeldes, afirmando-se que teria sido disparado um míssel sofisticado, embora os chamados revoltosos, segundo consta, não tivessem condições de operar aquela arma.

         Quando a notícia do fato surgiu, este cronista estava relendo alentada biografia de Goya, mais precisamente Francisco Goya Lucientes, um dos maiores pintores e gravuristas que o mundo teve e tem. Nascido em 1746, viveu 82 anos, fato raríssimo porque, naquela época, homens e mulheres mal chegavam aos 40. Entre centenas de obras que produziu, destacam-se as chamadas lâminas, constituindo gravuras produzidas no sistema “Água – Tinta”, apreciáveis hoje no Museu Nacional do Prado, em Madri. Goya produziu muitas gravuras descrevendo as tragédias da guerra. Exemplos podem ser localizados nos “Caprichos”, imagens terríveis dos episódios demonstrados nas guerras e revoluções. As lâminas “Los Desastres” expressam bem a repugnância que o artista tinha pela ferocidade exibida por humanos (v. foto encimando o texto).

         Entenda-se, então, que o dia de ontem – e o de hoje – não são bons, misturando-se o esplendor de um dos maiores gênios da pintura mundial e o drama terrível representado pela explosão do avião civil transportando criaturas cujo único defeito, no ato, fora a ousadia da travessia daquele território conturbado. O presidente da Rússia, Putin, talvez esteja preocupado com as consequências. Obama, o semi-deus dos Estados Unidos, demonstra indignação, porque americano do norte, sobressaindo entre os defuntos, não pode morrer em vão. É o segundo avião malasiano destruído, sabendo-se que o outro constitui, hoje, um dos maiores mistérios da aviação, pois não se encontrou um só vestígio do desastre. Nessa altura dos acontecimentos, não se conhece o que estão a pensar os habitantes da estação espacial mantida, sabe-se, por tripulação híbrida (russos e americanos?). Aqui embaixo, humildes mortais perdem o sono enquanto evocando a tragédia. La Nave Va.

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