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JOSÉ LEONARDO FERRAZ MÔNACO

Paulo Sérgio Leite Fernandes

 

Um dia, muitos anos atrás, chamei neto meu, então adolescente, pondo-o frente a retrato de um bisavô. Eram parecidos, fisicamente, via-se logo, mas a semelhança não parava naquilo. Havia uma curiosa mas explicável sintonia de expressão. Afinal, um era parte do outro. Eu queria mostrar ao jovem que embora projetando o futuro, por conveniência e às vezes por necessidade, somos em parte regidos por aquilo que já foi. Daí a “Cerimônia do Adeus”, modificada aqui e ali, mas sempre  uma despedida solene e sofrida, em qualquer rito, seita ou religião. Enfim, recusamo-nos a admitir que eles – antigos, em maioria – se vão. Deixam, todavia, nos descendentes, algo de impalpável, mas que os  distingue dos demais, porque provém daquele que se foi. Nessa linha de raciocínio, Márcia, Marta e Eduardo, bem como os netos, guardam no âmago pedaços grandes do homem bom que foi  JOSÉ LEONARDO FERRAZ MÔNACO.

JOSÉ LEONARDO FERRAZ MÔNACO, advogado ilustre formado há mais de sessenta anos na vetusta Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, um dos poucos sobreviventes da Turma de 1951, partiu no dia 11 deste mês de janeiro de 2015, aos 85 anos. Foi-se de madrugada, depois de resistir, recuperando-se valentemente, da moléstia que o acometera havia muito tempo. Enfim, a bem-dizer, morreu em saúde, mas não resistiu ao perder a esposa IVETE, divisora muito antiga do pão e do sal da vida, que morrera pertinho.

Certa vez, enquanto ainda não amadurecido, li um conto, ou crônica numa revista ainda guardada num canto qualquer. Chamava-se “Lobo-Rei, o que morreu de amor”. Era a história de um animal dessa estirpe que se foi logo após acidente a lhe retirar a companheira. Os humanos também têm extravagâncias e comportamentos inusitados. Atravessam décadas vencendo muitas batalhas, sobrevivem a males perigosos, deixam sob as cortinas o tumulto das intempéries e se dispõem, então, a aproveitar o remanescente. Daí, de repente “não mais que de repente”, acontece: a companheira de meio século entrega a alma. A expressão é esta, pois morrer é, talvez, uma forma de doação. JOSÉ LEONARDO FERRAZ MÔNACO partiu em seguida, pois a tanto não teve forças de superar.

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