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Ricardinho, beagle furtado, é localizado

Paulo Sérgio Leite Fernandes 

Comentam os jornais de hoje, 25 de outubro de 2013, que o beagle Ricardinho, furtado do Instituto Royal, dedicado a pesquisas científicas em animais visando aperfeiçoamento ou cura de doenças humanas, foi localizado. O cão, contando com presumíveis 7 anos de idade, tem uma placa na boca, ligando os maxilares. Segundo cientistas do Instituto referido, pode morrer, se não for tratado. Existe na filosofia, entre os estudiosos da lógica, vocábulo denominado “paradoxo”. No fim, é uma contradição. Aplique-se a definição às explicações ofertadas pelos detentores legais do animal: o cão, segundo especialista consultado, é o produto de experimentações variadas, precisando inclusive de uma intervenção cirúrgica na boca em razão de aparelho ali implantado (curativa,é claro). Dentro de tal contexto, se o animal furtado ficasse nas ruas, provavelmente viria a morrer mas, se voltar ao Instituto, também morre devagar, porque tem insuficiência renal e descalcificação óssea, não se sabendo se tais afecções são naturais ou produto de experiências passadas. A exemplo do filme “Cavalo de guerra”, mereceria muito carinho e campos verdejantes para descansar um pouco das lides a que o dispuseram. Dentro de tal contexto, a entrega do cão aos responsáveis pelo Instituto Royal deveria ser precedida por um compromisso de tratamento especialíssimo, um termo de ajustamento de conduta, talvez, pois se os cães postos naquela Instituição têm a finalidade já sabida, Ricardinho constituiria exceção. Já se soube de cão, pertencente ao advogado e famoso xilogravurista Antonio Costella, que acompanhou o dono em viagens pelo mundo inteiro, sem exceção do Oriente e países muito extravagantes. O cachorro era um vira-lata. Chamava-se Chiquinho. Morreu e foi inumado no jardim da casa de Costela, erigindo-se Mausoléu para o animalzinho.

A explicação, portanto, se não constituir absoluto despreparo na análise de princípios éticos básicos, é ingenuidade, ou má contorção das sinapses. Em síntese, o Instituto quer o cão. Se o bicho já tiver servido a experienciações científicas, a situação fica mais ou menos como aquela de o torturado ser recuperado pelo torturador, visando-se um final feliz. Eis o contrassenso.

A foto de Ricardinho saiu nos matutinos. Se o devolverem ao laboratório, façam-no em segredo, porque o povão não vai gostar.

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