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Decapitação de jornalistas americanos (O homem, lobo do homem)

Paulo Sérgio Leite Fernandes

Pensava-se que o ser humano se civilizara, porque estamos no século XXI, tempo suficiente a que aprendêssemos regras mínimas concernentes ao respeito à vida, à liberdade e a direitos outros universalmente consagrados, ao menos em tese. As gravuras feitas por Goya, dos maiores pintores que o mundo conheceu, teriam ficado arquivadas no passado. Infelizmente, assim não foi. Em 19 de agosto de 2014 a imprensa mundial publicou foto de decapitação, feita por carrasco do grupo “jihadista”, de James Foley, norte-americano, desaparecido em novembro de 2012 enquanto trabalhava para o “Global Post” e para a “France Presse”. Depois disso, em 02 de setembro do corrente, surgiu outra foto, esta do também jornalista americano de nome Steven Sotloff, igualmente decapitado. O grupo terrorista mandou mensagens aos Estados Unidos, divulgando atos preliminares às duas decapitações. Os dois profissionais de imprensa aparecem ajoelhados. Ao lado os executores, roupas pretas e encapuzados. Deve haver outras fotos com os comportamentos subsequentes, mas a coisa é terrível a ponto de os jornais e empresas de televisão, num raríssimo ato de pudor, terem recuado na demonstração do ato final. Coisa horrível. Obama, o deus negro havaiano, reagiu demonstrando repugnância, atitude imitada no mundo inteiro. Há no noticiário uma foto mostrando criança segurando a cabeça decapitada de um sírio. Segundo informações vindas de lá, ou seja, do Iraque, aquele grupo selvagem corta cabeças e crucifica os chamados “infiéis”. Há vídeo mostrando um homem, que seria James Foley, dizendo: “- Peço a meus amigos, família e entes queridos que se levantem contra meus verdadeiros assassinos, o governo americano, porque o que vai acontecer comigo é apenas o resultado de sua complacência e criminalidade”. Depois, o carrasco identifica verbalmente o preso.

Especialistas norte-americanos certificaram a verdade das decapitações. Em suma, não era embuste.

Tocante ao corte de cabeças, isto já aconteceu no Brasil, ao tempo de “Lampião, o rei do cangaço”, concretizando-se agora, rarissimamente, durante luta entre facções criminosas. Lá, é o resultado de conflito étnico-religioso, numa confusão total. Bem examinadas as circunstâncias, embora o atentado às torres gêmeas tenha produzido centenas de mortes e danos patrimoniais elevados, a dupla decapitação ofende mais, em razão da crueldade imensa e amostragem aberta. Qualquer cidadão norte-americano de mínimo, pequeno, médio ou máximo porte, exige vingança. O revide é necessário e se põe inevitável à sobrevivência política do presidente. No fim das contas, o “Capitão América” vai à forra, usando os armamentos sofisticadíssimos de que dispõe, sem exceção dos “drones” não tripulados. Funcionará assemelhadamente ao trucidamento de Bin Laden, trabalho pacientíssimo levado a cabo em operação muitíssimo sofisticada. Curiosamente, a presidência do Estados Unidos precisa afirmar uma espécie de guerra santa personalizada, mas não pode, por motivos óbvios, demonstrar como se fará. Entretanto, não é só a cidadania americana a exigir o castigo daqueles selvagens. O mundo inteiro o quer como questão básica de justiça. Até lá, as fotos dos jornalistas assassinados correm pelas redes sociais, impedindo o esquecimento. Ver-se-á.

James Foley e Steven Sotloff, respectivamente

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